- Com a derrota de Viktor Orbán e mudanças em Washington, cresce a expectativa de desbloquear o pacote de sanções da UE contra a Rússia, incluindo banimento marítimo completo para embarcações russas.
- O veto húngaro e, depois, o desafio da energia norte-americana continuaram interrompendo a oitava rodada de sanções por mais de dois meses.
- A saída de Orbán em maio pode abrir espaço para remover objeções, mas o primeiro ministro substituto, Péter Magyar, precisa ser visto como moderado; na Eslováquia, Robert Fico ainda pode influenciar.
- Em Washington, o Tesouro não renovou a licença de waivers para o petróleo russo e para o petróleo iraniano, mantendo pressão internacional sobre Moscou.
- Mesmo com avanços, o centro da sanção — o banimento total de serviços marítimos — pode depender de acordo com o G7, ou seguir sozinha pela UE, conforme as negociações avancem.
Viktor Orbán sofreu derrota nas urnas, abrindo espaço para mudanças de posição na UE e nos EUA. Obstáculos para o 20º pacote de sanções contra a Rússia ganharam novo impulso, com a perspectiva de desbloqueio devido a mudanças políticas em Budapeste e Washington. A proposta inclui, entre outras medidas, o banimento marítimo total aos cargueiros russos.
A derrota eleitoral de Orbán pode influenciar a postura de parceiros europeus diante das sanções. O primeiro ministro da Hungria deixou o cargo em maio, e seu provável substituto, Péter Magyar, prometeu participar de forma construtiva das negociações. Resta saber como o novo governo húngaro lidará com o veto já existente.
Ainda em jogo, o papel da Eslováquia. O primeiro-ministro Robert Fico, aliado ideológico de Orbán, tende a buscar compromissos para frear ou manter o bloqueio. Fico já sinalizou que a objeção não é ao conteúdo das sanções, mas à interrupção do fluxo de petróleo pela infraestrutura Druzhba.
A situação se complica pela reparação do oleoduto Druzhba, que sofreu avarias causadas por ataques com drones no fim de janeiro. Segundo Zelenskiy, a recuperação deve permitir funcionamento suficiente até o fim do mês, o que pode influenciar a posição de Fico diante do acordo.
Impacto norte-americano
Nos Estados Unidos, o ministro das Finanças anunciou que não haverá extensão de licenças de alívio a Rússia nem a Irã. A decisão encerra a permissão de 30 dias para compra de petróleo russo que já estava em trânsito. A medida foi recebida com críticas por aliados europeus, que a viram como posicionamento unilateral.
A elevação recente nos preços do petróleo russo, acima de 110 dólares por barril, fortalece as receitas de Moscou. Em março, a receita de petróleo e derivados atinge cerca de 19 bilhões de euros, contribuindo para mitigar a contração econômica do país.
Perspectivas para o pacote de sanções
A retirada de algumas isenções poderia facilitar o avanço do pacote, com o objetivo de substituir o teto de preço imposto pelo G7. As autoridades da UE discutem a coordenação internacional, mas admitem que a Europa pode agir sozinha se necessário.
A comissária europeia reiterou que qualquer decisão visa manter pressão sobre a Rússia. Ela destacou que ataques recentes contra cidades ucranianas reforçam a urgência de ampliar o conjunto de sanções.
Caminho a seguir
Mesmo que o veto seja flexibilizado, o formato exato do bloqueio e a coordenação com aliados globais permanecem em aberto. A União Europeia avalia o melhor momento para avançar, levando em conta a dinâmica política interna dos Estados membros e o cenário internacional.
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