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Lula critica Trump e governo Bolsonaro em entrevista à revista alemã

Lula defende multilateralismo, critica Trump e Bolsonaro, aponta crise de fertilizantes e risco de guerra como impacto para o Brasil

Lula está em viagem oficial na Europa, onde participará nos próximos dias de cúpula com outros líderes de esquerda (Foto: EFE/André Coelho)
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  • Lula critica Trump, afirma que ele não foi eleito imperador do mundo e defende multilateralismo para evitar uma “zona de guerra”; fala sobre o tema à Der Spiegel durante viagem à Europa.
  • O presidente também defende reforma no Conselho de Segurança da ONU para incluir assentos permanentes para África e Oriente Médio, e diz que gastos militares poderiam ser usados para combater fome e analfabetismo.
  • Lula atribui a crise de fertilizantes no Brasil ao governo de Jair Bolsonaro e destaca a necessidade de retomar a produção doméstica, evitando dependência externa.
  • O petista relembra encontro com Donald Trump na Malásia, em outubro de 2025, dizendo ter usado a “idade” para buscar respeito mútuo e mantendo a perspectiva de manter relação produtiva com os EUA.
  • A possibilidade de intervenções dos EUA na América Latina é citada pelo presidente, com condenação à operação contra Nicolás Maduro e ressalva de que Cuba não pode ser alvo de ameaças.

Lula destacou que Trump não é líder absoluto e que não se pode tolerar ameaças de guerra constantes entre nações. Em entrevista à revista alemã Der Spiegel durante viagem oficial pela Europa, o presidente brasileiro afirmou que o mundo precisa de ordem, mas que a ordem atual se parece com uma zona de conflito em expansão.

O presidente reforçou a defesa do multilateralismo como solução para a paz mundial e apontou críticas à atuação de Washington, dizendo que relações internacionais não funcionam quando uma nação usa poder econômico, militar e tecnológico para ditar regras. Em tom crítico, citou conversas com aliados, incluindo Xi Jinping e Vladimir Putin, para justificar sua posição.

Lula também defendeu mudanças no Conselho de Segurança da ONU, defendendo a criação de assentos permanentes para África e Oriente Médio como forma de ampliar representatividade e efetividade das decisões. Ainda nessa linha, avaliou que gastos militares globais poderiam ser melhor aplicados no combate à fome e ao analfabetismo.

Relações com os EUA e políticas comerciais

Ao ser questionado sobre conselhos ao chanceler alemão Friedrich Merz para lidar com as tarifas impostas pelos EUA, Lula afirmou que o aprendizado da vida é que o respeito precisa ser conquistado. Descreveu um encontro com o presidente Joe Biden? (nota: o texto original cita Trump) em Malásia, no final de outubro de 2025, destacando um diálogo baseado na seriedade e na busca de interesses comuns.

O petista ressaltou que, independentemente das diferenças ideológicas, o Brasil seguirá buscando uma relação produtiva com os EUA. Afirmou que, caso Trump não deseje manter negócios, o Brasil encontrará parceiros comerciais em outras frentes para não depender de uma única rota de abastecimento.

Impactos da guerra no Oriente Médio e fertilizantes

O presidente comentou o impacto do conflito no Irã para o Brasil, citando eventual escassez de fertilizantes e a necessidade de acelerar produção nacional. Apontou falhas do governo anterior na condução de políticas setoriais, afirmando que algumas fábricas de fertilizantes foram encerradas e hoje o Brasil trabalha para reconstruir a indústria interna.

Lula também criticou intervenções dos EUA na América Latina, mencionando a operação contra Nicolás Maduro como questões controversas. Encerrou destacando que os EUA não têm legitimidade para ameaçar Cuba e que a região pode acompanhar novos caminhos de cooperação sem que haja imposições de potências externas.

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