- IPC aponta que 5,83 milhões de haitianos devem enfrentar fome aguda de março a junho, representando mais da metade da população, após queda de 5,91 milhões.
- quase 1,9 milhão devem enfrentar fome em nível de emergência, ligeiramente abaixo de 2 milhões estimados anteriormente.
- as pequenas melhorias vêm da redução da inflação de 32% para 22%, de tempo mais propício às culturas e de melhor acesso rodoviário em algumas áreas, mas não suficientes para reverter a tendência.
- a crise é agravada pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio do estreito de Hormuz, que afetam o sistema alimentar global e o abastecimento em Haiti; a violência de gangues também prejudica transporte de mercadorias.
- cerca de 1,4 milhão de pessoas deslocadas vivem em condições precárias, com a maioria em regiões de norte do país, Artibonite, onde há ataques de gangues; autoridades ressaltam a necessidade de ajuda alimentar emergencial.
A população haitiana enfrenta níveis elevados de insegurança alimentar entre março e junho, segundo o Balanced Phases de Segurança Alimentar Integrada. A projeção aponta 5,83 milhões de pessoas em fome aguda, pouco menos que o levantamento anterior de 5,91 milhões.
Mais de 1,9 milhão de haitianos devem enfrentar fome em nível emergencial, com uma leve redução frente ao cálculo anterior. O relatório cita queda da inflação de 32% para 22%, condições climáticas favoráveis e melhoria de acesso rodoviário como fatores de melhoria pontual.
No entanto, especialistas ressaltam que os avanços são insuficientes para reverter a tendência geral de insegurança alimentar no país, agravada por violência de gangues e interrupções no transporte de bens. O documento aponta impactos diretos na economia e no fluxo de mercadorias.
Motivações e impactos
A crise é associada ao conflito no Oriente Médio e ao bloqueio do Estreito de Hormuz, que afetam o sistema alimentar global e repercutem em Haiti. O relatório também destaca que grupos armados pressionam a economia haitiana e dificultam a circulação de pessoas e de mercadorias.
O aumento recente nos preços da kerosene, diesel e gasolina, registrado no início de abril, deve elevar o custo de transporte e, por consequência, o preço dos alimentos. Despesas maiores com combustível tendem a pressionar famílias a reduzirem consumo alimentar.
Regiões mais afetadas e contexto local
A maior parte das pessoas em fome emergencial está localizada na região noroeste, especialmente Artibonite, zonas marcadas por ataques de gangues que destruíram plantações e comunidades. A situação de deslocados agrava o déficit alimentar.
Na capital, bairros pobres com alta presença de gangues concentram parcela relevante das pessoas em fome aguda. As autoridades locais relatam controle da violência por grupos armados, o que dificulta a logística de assistência.
Resposta humanitária e perspectivas
A Organização Mundial de Acção contra a Fome afirma que prevenir a fome é essencial para a estabilidade. A agência defende assistência alimentar emergencial e a recuperação de cadeias locais de produção de alimentos como medidas urgentes.
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