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Relatório do IPC aponta que alta do petróleo pode agravar a fome no Haiti

O petróleo em alta eleva custos de transporte e alimentos, ampliando a fome em Haiti para mais de cinco milhões e oitenta e três mil pessoas

A man rests at a shelter for families displaced by gang violence Port-au-Prince, Haiti, Wednesday, March 18, 2026. (AP Photo/Odelyn Joseph)
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  • IPC aponta que 5,83 milhões de haitianos devem enfrentar fome aguda de março a junho, representando mais da metade da população, após queda de 5,91 milhões.
  • quase 1,9 milhão devem enfrentar fome em nível de emergência, ligeiramente abaixo de 2 milhões estimados anteriormente.
  • as pequenas melhorias vêm da redução da inflação de 32% para 22%, de tempo mais propício às culturas e de melhor acesso rodoviário em algumas áreas, mas não suficientes para reverter a tendência.
  • a crise é agravada pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio do estreito de Hormuz, que afetam o sistema alimentar global e o abastecimento em Haiti; a violência de gangues também prejudica transporte de mercadorias.
  • cerca de 1,4 milhão de pessoas deslocadas vivem em condições precárias, com a maioria em regiões de norte do país, Artibonite, onde há ataques de gangues; autoridades ressaltam a necessidade de ajuda alimentar emergencial.

A população haitiana enfrenta níveis elevados de insegurança alimentar entre março e junho, segundo o Balanced Phases de Segurança Alimentar Integrada. A projeção aponta 5,83 milhões de pessoas em fome aguda, pouco menos que o levantamento anterior de 5,91 milhões.

Mais de 1,9 milhão de haitianos devem enfrentar fome em nível emergencial, com uma leve redução frente ao cálculo anterior. O relatório cita queda da inflação de 32% para 22%, condições climáticas favoráveis e melhoria de acesso rodoviário como fatores de melhoria pontual.

No entanto, especialistas ressaltam que os avanços são insuficientes para reverter a tendência geral de insegurança alimentar no país, agravada por violência de gangues e interrupções no transporte de bens. O documento aponta impactos diretos na economia e no fluxo de mercadorias.

Motivações e impactos

A crise é associada ao conflito no Oriente Médio e ao bloqueio do Estreito de Hormuz, que afetam o sistema alimentar global e repercutem em Haiti. O relatório também destaca que grupos armados pressionam a economia haitiana e dificultam a circulação de pessoas e de mercadorias.

O aumento recente nos preços da kerosene, diesel e gasolina, registrado no início de abril, deve elevar o custo de transporte e, por consequência, o preço dos alimentos. Despesas maiores com combustível tendem a pressionar famílias a reduzirem consumo alimentar.

Regiões mais afetadas e contexto local

A maior parte das pessoas em fome emergencial está localizada na região noroeste, especialmente Artibonite, zonas marcadas por ataques de gangues que destruíram plantações e comunidades. A situação de deslocados agrava o déficit alimentar.

Na capital, bairros pobres com alta presença de gangues concentram parcela relevante das pessoas em fome aguda. As autoridades locais relatam controle da violência por grupos armados, o que dificulta a logística de assistência.

Resposta humanitária e perspectivas

A Organização Mundial de Acção contra a Fome afirma que prevenir a fome é essencial para a estabilidade. A agência defende assistência alimentar emergencial e a recuperação de cadeias locais de produção de alimentos como medidas urgentes.

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