- Analistas veem a Rússia como ganhadora estratégica no novo desenho econômico mundial, fortalecendo seu papel entre EUA e China, mesmo com a guerra na Ucrânia.
- A China depende do Golfo Pérsico para energia e enfrenta gargalos geográficos, o que eleva a importância de rotas terrestres pela Rússia para reduzir vulnerabilidades.
- A Rússia oferece conexão física direta com a China, evitando bloqueios marítimos tradicionais em estreitos como Ormuz e Malaca.
- O Ártico, com o derretimento do gelo, passa a oferecer rotas navegáveis o ano inteiro, e a Rússia domina a frota de quebra-gelos e o mapeamento da região.
- O controle do Ártico pode viabilizar exportação de manufaturas chinesas e o suprimento de petróleo, gás, minérios e alimentos russos, fortalecendo uma aliança estratégica com implicações para o equilíbrio de poder.
O artigo analisa como a Rússia se posiciona no novo xadrez energético global, em meio aos conflitos no Oriente Médio e à guerra com a Ucrânia. A leitura aponta ganhos estratégicos para Moscou, além dos conflitos em curso, que moldam o equilíbrio de poder.
Segundo o texto, a ascensão russa depende do arrefecimento da dependência chinesa de rotas marítimas vulneráveis. Embora Washington use sua força para conter o expansionismo chinês, Pequim enfrenta fragilidades ligadas ao Golfo Pérsico e aos estreitos de Ormuz e Malaca.
O argumento central ressalta a rota do Ártico como elemento decisivo. Com mais de 40 navios quebra-gelo e mapeamento detalhado, a Rússia detém o controle de uma passagem que pode ligar a China a mercados ocidentais e asiáticos, facilitando exportações e suprimentos.
Ameaças e oportunidades na geopolítica energética
A análise aponta que o degelo acelera a navegabilidade anual do Ártico, ampliando o peso estratégico da Rússia na região. O país seria protagonista na facilitação do fluxo de manufaturas chinesas e de recursos naturais entre a China, Europa e Ásia Central.
Esse cenário reforça a ideia de que Moscou pode exercer influência não apenas por força militar, mas como elo logístico essencial para a China. A leitura sustenta que esse papel pode reconfigurar alianças e dependências no curto a médio prazo.
Sobre o autor
Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP e pesquisador de geopolítica do Insper Agro Global. O texto foi transcrito em primeira pessoa para o WW.
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