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Ucrânia adapta dispositivo de brinquedo para uso em drones de combate

Empresa ucraniana adapta dispositivo de pets para drones com IA, capaz de detectar alvos militares e apoiar ataques, ampliando o uso dual da tecnologia

Um drone de visão em primeira pessoa da Odd Systems, com um explosivo simulado pesado acoplado, aguarda um voo de teste em um local não divulgado na Ucrânia, em 6 de novembro de 2025
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  • Uma empresa ucraniana criou drones com visão em primeira pessoa que usam reconhecimento de imagem com IA para detectar veículos militares, peças de artilharia ou soldados inimigos.
  • A iniciativa veio das startups Odd Systems e Fourth Law, que migraram do Petcube — equipamento originalmente para pets — para sistemas de defesa.
  • O drone funciona com um piloto automático e mira automática tipo YOLO; após identificar o alvo, o equipamento percorre os últimos 400 metros de forma autônoma.
  • A Odd Systems também desenvolve um interceptor de drones, Zerov, para enfrentar sistemas como o Shahed de fabricação iraniana, usados em ataques na região.
  • A empresa e o ecossistema de startups de defesa na Ucrânia tiveram impulso com investimentos recentes e maior interesse estratégico, especialmente em possibilidades de exportação após o conflito.

Um empreendedor ucraniano transformou um dispositivo originalmente destinado a entreter animais de estimação em tecnologia de uso militar. O Petcube, criado por Yaroslav Azhnyuk e sua equipe, ganhou função de monitoramento remoto com reconhecimento de imagem e laser, hoje aplicado em drones com visão em primeira pessoa (FPV).

A empresa envolvida no uso bélico é formada por duas companhias, Odd Systems e The Fourth Law, que desenvolveram um sistema de IA para identificar alvos como veículos militares, peças de artilharia ou soldados inimigos. O projeto integra o drone a um piloto automático que opera com mira baseada na técnica YOLO.

O dispositivo funciona ao detectar um alvo, acionando o sistema autônomo que percorre cerca de 400 metros. O objetivo é ampliar a precisão do ataque, reduzindo a depender de intervenção humana em operações de combate. A Odd Systems também produz um interceptor para drones Shahed, de origem iraniana.

Como funciona o drone com IA

O software de reconhecimento de imagem é conectado a um sistema de navegação autônoma usado em ações de ataque. Operadores que controlam os drones da empresa escolhem alvos, após o que o voo segue quase inteiramente de forma autônoma, com menor vulnerabilidade a interferências.

A Odd Systems desenvolve ainda um interceptor, chamado Zerov, que identifica Shaheds, aproxima-se e executa uma explosão controlada. Drones explosivos de fabricação iraniana têm sido usados contra a Ucrânia, enquanto bases aliadas e alvos no Oriente Médio também foram citados nos últimos meses.

Contexto e empresas envolvidas

Os drones FPV com IA já são usados na linha de frente ucraniana, com versões que podem voar autonomamente ao longo de rotas pré-programadas. A empresa afirma que quase 90% dos drones não atingem o alvo sem tecnologia de mira, o que motiva o desenvolvimento de sistemas automáticos.

Yaroslav Azhnyuk, que também lançou a Petcube, integra as startups Odd Systems e Fourth Law para ampliar capacidades de defesa. Em 2023, ele fundou as duas empresas para enfrentar desafios tecnológicos na guerra, após renunciar ao cargo de CEO da Petcube.

Questões éticas e perspectivas de mercado

O portfólio de startups de defesa na Ucrânia cresce, com investidores traçando oportunidades futuras de exportação. Tecnologias que parecem bem-humoradas em seu início migram para aplicações militares de alto impacto, conforme o cenário de conflito se intensifica.

Antes da guerra, a Ucrânia era reconhecida por grandes empresas de tecnologia, como Grammarly e Ring. A indústria de TI representava uma parte relevante das exportações, atrás apenas do aço e dos produtos agrícolas, até a invasão de 2022. O caso de Azhnyuk ilustra a evolução para um polo de contratos militares.

A empresa afirma que o uso de IA busca reduzir a participação humana e aumentar a precisão, destacando que drones operam dentro de zonas georreferenciadas para evitar civilização e retomar o inventor do lançamento. Aguardam-se desdobramentos sobre exportação e aplicações em outros mercados.

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