- A relação entre a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o ex-presidente Donald Trump ficou mais tensa após Trump atacar o Papa Leão XIV, e Meloni o defendeu.
- Trump disse que não falava com Meloni há muito tempo e que estava irritado com a posição italiana sobre a guerra no Irã; afirmou que ela era “inaceitável”.
- A explicação comum entre analistas é que a ruptura pode representar o fim da relação estreita entre Trump e Meloni, que se via como ponte entre Europa e Estados Unidos.
- Historicamente, Meloni apoiava Trump e chegou a participar de eventos e discursos nos Estados Unidos; com o tempo, a Itália passou a pressionar por maior gasto militar e por termos comerciais mais favoráveis aos europeus.
- A saída da aliança pode impactar a popularidade de Meloni, que enfrentou derrota em um referendo sobre o Judiciário; especialistas dizem que ela precisa buscar alianças na Europa para as eleições do próximo ano.
Durante anos, Giorgia Meloni foi apresentada como a aliada europeia mais próxima de Donald Trump, capaz de servir de ponte entre a Itália e os Estados Unidos. Nesta semana, porém, a relação entre ambos caiu em descrédito, com sinais de ruptura cada vez mais evidentes.
A escalada começou após Trump lançar ataques ao Papa Leão XIV. Meloni respondeu, defendendo o pontífice americano e afirmando que as declarações do presidente sobre o Santo Padre eram inaceitáveis. Em resposta, Trump retirou elogios e afirmou que não tinha uma relação próxima com a italiana.
Na sequência, Trump afirmou, em entrevista a um jornal italiano, que não mantinha contato frequente com Meloni e criticou sua participação na política externa, citando a guerra no Irã. O ex-presidente classificou a relação como problemática, enquanto Meloni sinalizava distanciamento.
Pragmatismo
Meloni, que já foi associada a posições de direita radicais, tem adotado tom mais pragmático para manter a governabilidade e a influência europeia. Analistas afirmam que o self-service político de Meloni pode ter sido impulsionado por pressões internas e externas, incluindo o impacto econômico de políticas associadas a Trump na Itália.
Em 2018, Meloni recebeu figuras próximas a Trump em eventos políticos nos EUA, e no auge das carreiras, já proclamava uma posição de destaque no relacionamento transatlântico. Em cúpulas, Trump elogiou publicamente Meloni, mas o tom passou a mudar nos últimos meses.
Pressão e descolamento
A relação se tornou mais tensa quando Trump passou a pressionar Meloni e outros aliados europeus a aumentar gastos militares e a aceitar termos comerciais que não lhe eram vantajosos. Meloni, por sua vez, mostrou resistência a medidas que agravavam custos para os italianos.
Em abril, quando Trump sugeriu tarifas, Meloni afirmou que a aposta americana seria própria responsabilidade, ao mesmo tempo em que alertava para retaliações europeias. Em janeiro, a italiana destacou desconfianças com ações militares norte-americanas na Groenlândia, enfatizando que não concordava com possíveis intervenções sem consenso europeu.
A guerra no Irã foi um ponto de inflexão. Meloni criticou o ataque, especialmente após o envio de um ministro da Defesa detido no Irã ter sido necessário remeter a um jato militar, o que expôs vulnerabilidade italiana. O aumento dos preços de energia na Itália agravou o desgaste político da premiê.
Caminhos futuros
A oposição italiana interpretou a derrota em plebiscito sobre o Judiciário como um indicativo de desgaste político. Meloni demitiu ministros e assessores apontados como responsáveis pela derrota, buscando reconfigurar a base de apoio. Analistas destacam que, sem o apoio de Trump, a premiê pode buscar maior alinhamento com o establishment europeu.
Especialistas ressaltam que a atual fase pode exigir alianças mais próximas com a Europa, especialmente após o enfraquecimento de aliados na região. Com eleições previstas para o próximo ano, Meloni terá que decidir entre consolidar vínculos com a Europa ou manter o eixo transatlântico sob condições mais restritas.
Entre na conversa da comunidade