- O governo brasileiro enviou ao governo dos EUA uma versão desatualizada da lista suja de trabalho escravo, que inclui a chinesa BYD.
- O documento foi encaminhado na quarta-feira, 15, como anexo à resposta do Ministério das Relações Exteriores ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
- A BYD tenha conseguido liminar para sair do cadastro, e a lista atual, site do ministério, não exibe mais o nome da empresa; a última atualização ocorreu em 16 de abril.
- Na versão de março, a BYD Auto do Brasil LTDA aparece com 163 trabalhadores envolvidos; a inclusão provocou crise no governo e a demissão de secretário responsável pelo setor.
- A divulgação foi feita pela Embaixada do Brasil em Washington, que protocolou a versão antiga; o USTR investiga falhas no combate ao trabalho forçado em dezenas de países, o que pode influenciar tarifas.
O governo brasileiro enviou aos Estados Unidos uma versão desatualizada da lista suja do trabalho escravo que inclui a BYD, fabricante chinesa. O envio ocorreu na quarta-feira, 15, como anexo à resposta do Itamaraty ao Escritório do Representante Comercial dos EUA. Até a publicação, BYD e o Itamaraty não se manifestaram.
A lista antiga indicava a BYD Auto do Brasil LTDA com 163 trabalhadores envolvidos em condições degradantes na fábrica de Camaçari, na Bahia. A obra envolvia áreas reformadas após a compra da unidade pela BYD, que já era operada pela Ford anteriormente.
Em 2024, fiscalizações no complexo de Camaçari apontaram imigrantes chineses em situação precária. Três dias depois da inclusão inicial, a empresa obteve liminar para deixar o cadastro, sob o argumento de vínculo apenas com prestadoras de serviço contratadas para a construção.
Mudança no registro e desdobramentos
A lista atual publicada pelo Ministério do Trabalho não traz mais o nome da BYD. A atualização mais recente ocorreu na quinta-feira, 16, mas a resposta de Brasília enviada aos EUA utilizou a versão anterior, com a BYD ainda listada. A inscrição gerou desgaste interno, levando à demissão de um secretário do Trabalho e a protestos sobre interferência política.
O documento enviado mantém a vinculação do registro a um consultor da embaixada brasileira em Washington e à própria Embaixada do Brasil, conforme metadados. A BYD questiona a fundamentação de sua inclusão, enquanto o Itamaraty não divulgou detalhes adicionais sobre o envio.
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