- Brasileira Célia Maria Cassiano, de 67 anos, com doença neurodegenerativa, decidiu pela morte digna e entrou em um quarto na Suíça para realizar suicídio assistido, na quarta-feira (15).
- O recurso exige viagem internacional, planejamento médico e custo elevado, em torno de R$ 65 mil (11 mil francos suíços), sem contar deslocamento e hospedagem.
- Na Suíça, o protocolo prevê autoadministração do medicamento, avaliação médica e psiquiátrica, e procedimentos legais após a morte, como perícia e cremação.
- No Brasil, não há legislação que autorize morte assistida ou eutanásia; há debates e poucas regras formais, com avanço em alguns países da América Latina.
- Célia relatou ter buscado dignidade e autonomia ao longo de meses de preparação e, antes do procedimento, aproveitou para fazer turismo na cidade.
Na Suíça, uma brasileira realizou suicídio assistido ao seguir um protocolo que inclui autorização, avaliações médicas e legalização do ato. Célia Maria Cassiano, 67 anos, iniciou o procedimento na quarta-feira (15), entrou em um quarto, bebeu uma substância indicada por um médico e morreu em poucos minutos sem sentir dor. A morte foi comunicada às autoridades locais.
A decisão ocorreu após longo desgaste com uma doença neurodegenerativa incurável que afeta o segundo neurônio motor, limitando movimentos e fala, mas mantendo a consciência. Consta que Célia, professora universitária e pesquisadora, manifestou desejo de evitar dependência total e uso de aparelhos.
No Brasil, não há autorização legal para qualquer forma de morte assistida. A discussão envolve a falta de regulamentação, que impede caminhos formais para quem busca esse direito. Organizações ligadas ao tema defendem a autonomia do paciente em decisões de fim de vida, sem ainda alcançar respaldo legal consolidado.
Diante da ausência de legislação, o destino acessível para quem opta por esse caminho é a Suíça, o único país que aceita estrangeiros não residentes sob o modelo de suicídio assistido. O processo demanda meses de preparação, documentação, laudos médicos e traduções, além de custos que chegam a cerca de 65 mil reais.
O rito suíço prevê a autoadministração do medicamento após avaliações médicas e psiquiátricas independentes. A pessoa define a data, permanece um tempo no país, recebe o medicamento e o consumo ocorre no momento escolhido, com acompanhamento familiar. Em seguida, as autoridades verificam consentimento, liberam a perícia e a cremação.
O custo elevado, somado à viagem e à hospedagem, cria barreiras significativas para o acesso. Célia afirmou ser privilegiada por ter condições financeiras para o deslocamento e o procedimento.
Paralelamente, o debate na América Latina ganha relevância. O Uruguai regulamentou a eutanásia para pacientes com doenças graves, enquanto outros países da região discutem práticas semelhantes com diferentes modelos e regras. O tema permanece em fase de evolução legislativa e judicial.
Antes de seguir para o procedimento, Célia manteve atividades turísticas na cidade, como visitas a museus e restaurantes. Segundo ela, a decisão envolveu a busca por dignidade e autonomia, sem ficar presa a uma cama. A escolha é apresentada pela família como um direito a ser considerado no Brasil, não como obrigação.
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