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Espanha, aliada de Lula, afasta-se dos EUA e busca ponte entre China e UE

Sánchez aproxima Espanha de Pequim, buscando na China ponte entre UE e EUA, com impacto econômico e risco de isolamento dentro da Otan

Premiê espanhol, Pedro Sánchez, conversa com o ditador chinês Xi Jinping, durante viagem à China (Foto: EFE/EPA/ANDRES MARTINEZ CASARES / POOL)
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  • Espanha, sob Pedro Sánchez, faz quarta viagem a Pequim em quatro anos para reforçar laços com a China; Xi Jinping reconhece Sánchez como interlocutor privilegiado entre Pequim e Bruxelas.
  • Comércio bilateral entre os dois países superou US$ 55 bilhões em 2025, com crescimento de 9,8% em relação a 2024, e a China é o maior parceiro comercial da Espanha fora da União Europeia.
  • Foram assinados dezenove acordos bilaterais, incluindo expansão de exportações espanholas para a China, cooperação em transporte e infraestrutura, e a criação de um Diálogo Estratégico Diplomático.
  • A aproximação com a China ocorre enquanto Sánchez se afasta dos Estados Unidos, sendo a Espanha o único aliado da OTAN a votar contra a meta de 5% do PIB em defesa, gerando tensões com Washington.
  • Em Barcelona, Sánchez se reúne com Lula para participar do Global Progressive Mobilisation, mantendo a Espanha como ponte entre a UE e a China para reconfigurar relações transatlânticas.

Em sua quarta visita a Pequim em quatro anos, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez encerrou a viagem com acordos comerciais e reconhecimento de Xi Jinping como interlocutor privilegiado entre China e União Europeia. O objetivo, segundo Madril, é ampliar a influência de Espanha no relacionamento sino-europêu e reforçar a posição externa da Espanha em meio a tensões globais.

Ao retornar à Espanha, Sánchez manteve o tom de pragmatismo estratégico e sinalizou alinhamento com a China diante de um cenário internacional em mudança. O governo espanhol descreveu a viagem como parte de uma estratégia de diversificação de parcerias e de busca por estabilidade econômica.

Novo encontro com Lula na Espanha

Após a reunião com Lula em Santiago, em julho de 2025, Sánchez recebeu o líder brasileiro em Barcelona, nesta sexta-feira, 17. Além de discutir relações bilaterais, Lula participa do evento Global Progressive Mobilisation, promovido pela Internacional Socialista, ao lado de presidentes de esquerda da Colômbia e do México.

Durante a visita, Sánchez e Lula combinaram agendas de cooperação e de diálogo político, com foco em temas regionais e sociais. A circulação de lideranças progressistas na América Latina foi citada como marco de alianças estratégicas entre continentes.

Relação UE-China sob a ótica espanhola

No Grande Salão do Povo, Xi Jinping elogiou Espanha por agir com retidão moral e colocou Madri como canal privilegiado entre China e Bruxelas. A China, segundo o líder chinês, reconhece Sánchez como interlocutor relevante para a relação UE-China.

Sánchez defendeu uma ordem multipolar fundamentada no diálogo e na estabilidade, destacando a relação UE-China como elemento central para a reconfiguração do sistema internacional. O premiê também apontou a importância de manter parcerias estáveis e previsíveis no comércio.

A cooperação bilateral resultou em 19 acordos, incluindo áreas agrícolas, transporte e infraestrutura. O acordo considera ainda a criação de um Mecanismo de Diálogo Estratégico Diplomático para aprimorar interlocução entre os dois países.

Países e impactos

Dados da Administração Geral de Alfândegas da China indicam que o comércio bilateral superou 55 bilhões de dólares em 2025, com crescimento de quase 9,8% ante o ano anterior. Investimentos chineses na Espanha avançam em setores como energia renovável e infraestrutura.

Especialistas veem a aproximação como movimento pragmático de Sánchez, diante de um Estados Unidos que, segundo análises, mostra ceticismo em relação a alianças e políticas comerciais globais. A Espanha, por ora, mantém posição de não alinhamento automático com Washington.

Desafios para a política externa espanhola

Analistas apontam que a relação com a China pode gerar fricções com aliados europeus, porém alguns vêem oportunidades de ampliar o peso de Espanha na UE. A Comissão Europeia classifica a relação UE-China como parceria, competição e rivalidade sistêmica, o que condiciona o espaço de manobra de Madrid.

Perguntas sobre o impacto na OTAN aparecem entre especialistas, com o risco de isolamento se a cooperação com Pequim for interpretada como ruptura com a aliança atlântica. A política externa espanhola permanece, assim, sob escrutínio interno e externo enquanto busca equilíbrio entre ações econômicas e compromissos de segurança coletiva.

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