- O ex-presidente Win Myint recebeu indulto dentro de uma anistia que também cancela todas as penas de morte, medida anunciada pela Junta Militar de Min Aung Hlaing durante a transição no país.
- A liberação ocorre durante o Thingyan, Ano-Novo birmanês, tradicional batalha de água que simboliza renovação e purificação.
- A Junta descreve o indulto como parte de um esforço de “reconstrução nacional”, enquanto críticos veem as ações como tentativas de melhorar a imagem internacional.
- A jornalista Shin Daewe foi libertada após mais de dois anos na prisão; segundo a defesa, mais de 30.000 pessoas foram detidas por motivos políticos desde 2021, e Aung San Suu Kyi continua encarcerada.
- Espera-se a libertação de mais de 4.300 presos, além de 180 estrangeiros, com redução de um sexto em penas inferiores a quarenta anos.
Win Myint, ex-presidente de Mianmar, foi libertado nesta sexta-feira (17) após indulto coletivo que anula penas de morte no país. A medida, anunciada pelo governo do general Min Aung Hlaing, faz parte de uma anistia ampla durante o Ano-Novo birmanês Thingyan.
A anistia, considerada uma das primeiras ações do presidente desde a posse, também prevê redução de penas para dezenas de milhares de presos. O decreto ocorre em um contexto de transição de liderança após o golpe militar de 2021.
Win Myint, que comandou o país entre 2018 e 2021, está em bom estado de saúde, segundo o porta-voz da Liga Nacional para a Democracia, o partido dissolvido após o golpe. A informação foi repassada em Naypyidaw.
Contexto político e julgamentos
Min Aung Hlaing assumiu a presidência na semana passada, em meio a críticas internacionais sobre o processo eleitoral que o stabeceu no poder. O anúncio da anistia ocorreu pouco após a posse, reforçando a narrativa de reconciliação, segundo o gabinete do presidente.
O indulto amplia a libertação de detentos, com expectativa de que mais de 4.300 presos sejam soltos, além de cerca de 180 estrangeiros. Analistas veem a medida como tentativa de melhorar a imagem do regime entre a comunidade internacional.
Familiares aguardavam informações em frente à penitenciária de Insein, em Yangon. Apressos afirmaram que não houve inclusão de todos os detidos políticos nos benefícios do indulto.
Jornalista liberta e contexto de prisões
A jornalista e documentarista Shin Daewe foi libertada após ficar pouco mais de dois anos presa, com pena inicialmente de prisão perpétua, reduzida posteriormente a 15 anos. Ela destacou a chance de reencontrar a família como alegria.
Segundo a Associação de Ajuda aos Presos Políticos, mais de 30.000 pessoas foram detidas por motivos políticos desde 2021. Aung San Suu Kyi permanece detida, cumprindo uma condenação de 27 anos em local não revelado.
Min Aung Hlaing liderou o país por cinco anos antes de assumir a presidência, em uma transição que analistas descrevem como mudança de fachada civil do regime. Críticos veem as ações como medidas simbólicas para facilitar a imagem do governo.
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