- O presidente Joseph Aoun, ao assumir no Líbano, defendeu desarmar Hezbollah e sinalizou a possibilidade de negociar diretamente com Israel, em busca de paz.
- Um cessar-fogo frágil estava em vigor desde novembro de 2024, mas Israel mantinha ataques quase diários contra alvos ligados ao Hezbollah.
- Hezbollah é grupo xiita apoiado pelo Irã, visto por seus defensores como proteção contra Israel e por adversários como instrumento de interesses iranianos.
- A ofensiva israelense no sul do Líbano provocou deslocamentos e violência, com mais de 1,2 milhão de pessoas deslocadas desde o início do conflito e mais de 2 mil mortos.
- A reunião entre embaixadores de Israel e do Líbano, prevista em Washington, deve centrar-se no cessar-fogo, enquanto o governo libanês tem espaço limitado para influenciar o Hezbollah.
Lebanon vive novamente sob o espectro da guerra. Em agosto passado, em Baabda, o presidente Joseph Aoun — ex-chefe do Exército — dizia acreditar que o país poderia superar a divisão sobre o desarmamento de Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Naquele momento, uma trégua fraca consolidava a parada bélica com Israel.
A confrontação entre Hezbollah e Israel persiste desde novembro de 2024, quando a guerra entre ambos terminou abruptamente. Aoun propôs negociações diretas com Israel, medida incomum entre dois Estados sem relações diplomáticas, mas Tel Aviv não respondeu de imediato.
A população, ainda sob tensão, vive o peso de ataques aéreos. Em cidades do sul, as operações continuaram após a morte do líder iraniano Ali Khamenei, em fevereiro, o que desencadeou retaliações de Hezbollah com lançamento de foguetes. Israel respondeu com cidades atacadas e operações terrestres.
Contexto histórico
Hezbollah surgiu nos anos 1980 durante a ocupação israelense do Líbano e é visto por seus apoiadores como proteção contra Israel. Internacionalmente, é designado como organização terrorista por países como EUA e Reino Unido, mas atua também como partido político e provedor de serviços sociais no Líbano.
O acordo de Taif, de 1989, previu o desarmamento de milícias, mas Hezbollah manteve suas armas, posicionando-se como uma força de defesa para setores da população xiita. A resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006, exigiu o desarmamento, porém não foi plenamente implementada.
Situação atual
A violência recente provocou deslocamentos em massa; mais de 1,2 milhão de pessoas já deixaram suas casas desde o início do conflito. Combates e ataques em áreas com menor presença de Hezbollah aumentam a desconfiança de novos fluxos de refugiados. Governos e observadores discutem caminhos para uma solução estável.
Em meio ao choque, muitos moradores relatam sensação de crise permanente e medo de ataques contínuos. Com a escalada, cresce a pressão para que o Líbano encontre meios de reduzir a dependência de Hezbollah para a própria defesa.
Desdobramentos
Uma reunião entre embaixadores de Israel e Líbano, prevista para acontecer em Washington, pretende discutir um cessar-fogo. O país vizinho enfrenta dilemas ao lidar com uma organização que, ao mesmo tempo, atua como movimento social e força política no parlamento.
Analistas lembram que qualquer solução duradoura exige garantias de segurança para diversas comunidades, bem como a coordenação entre Estados e atores internos. A expectativa é de que as negociações avancem, ainda que com grandes desconfortos e incertezas.
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