- Lula iniciou viagem à Europa e chegou a Barcelona na quinta-feira, 16 de abril; reunião com o presidente espanhol Pedro Sánchez e assinatura de quinze acordos entre Brasil e Espanha em áreas como minerais críticos, economia social, cultura, ciência e igualdade.
- Em entrevista coletiva, o presidente afirmou ter muitas preocupações no Brasil e que quer que a Venezuela fique bem, sem tutela externa; não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas após Maduro não enviar documentos para comprovar a lisura do pleito.
- Lula disse que Delcy Rodríguez ocupa legitimamente o poder na Venezuela após a vacância provocada pela prisão de Maduro; afirmou que, se quiser convocar novas eleições, é problema do povo venezuelano.
- Um dos principais acordos trata de minerais críticos — lítio, níquel, cobalto, nióbio, cobre, manganês e grafite — para criar uma cadeia produtiva e evitar exportação de matéria-prima bruta; o Brasil ressaltou que ninguém, além do Brasil, será dono de sua riqueza mineral.
- A fala de Lula sobre Donald Trump foi contornada, sem menção direta; a avaliação de especialistas é de que a viagem envolve delicadeza diplomática, equilibrando críticas a Trump e relações com os Estados Unidos. A agenda segue com viagem para Hannover, na Alemanha, e Lisboa, em Portugal.
Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Barcelona, na Espanha, para a primeira parada de sua viagem europeia. Em coletiva com jornalistas brasileiros e espanhóis, ele afirmou ter “muitas preocupações no Brasil” e disse que prefere que a Venezuela siga estável e sem tutela externa. Não houve críticas diretas a Maduro ou a Donald Trump.
O presidente evitou entrar em detalhes sobre o conflito na Venezuela, instalado após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro. Questionado sobre o pleito venezuelano, Lula disse que Delcy Rodríguez atua legitimamente como presidente, após a vacância causada pela prisão de Maduro, e não comentou a possibilidade de novas eleições.
Lula participou de reuniões em Barcelona na manhã desta sexta-feira, com o primeiro-ministro Pedro Sánchez e ministros espanhóis. Ao todo, foram assinados 15 acordos entre Brasil e Espanha, em áreas como minerais críticos, economia social, cooperação cultural e ciência.
Minerais críticos e ambição brasileira
Um dos acordos mais relevantes trata de minerais críticos como lítio, níquel, cobalto e grafite, usados em baterias e na indústria bélica. O Brasil tem reservas ainda inexploradas e busca criar uma cadeia produtiva para evitar a exportação de matéria-prima bruta.
Lula ressaltou que o Brasil não permitirá que terceiros controlem sua riqueza natural, citando o histórico de ciclos econômicos exploratórios. A ideia é firmar parcerias com países interessados, respeitando a soberania brasileira sobre os recursos.
Contexto internacional e reação política
A imprensa acompanha o tom do discurso de Lula na Espanha, sem menções diretas a Donald Trump. Especialistas avaliam que a fala pode ter repercussão rápida e ampla, dada a audiência internacional. O pequeno espaço para críticas explícitas ao americano equilibra a postura de alianças com a esquerda e aliados dos EUA.
A agenda internacional ocorre em meio a cenários de acirramento político no Brasil, com pesquisas de intenção de voto apontando o duelo entre Lula e o deputado Flávio Bolsonaro (PL). A viagem segue para Hannover, na Alemanha, e encerra-se em Lisboa, Portugal.
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