- Macron e o primeiro-ministro britânico conduzem, em Paris, cúpula com dezenas de países — sem a participação dos Estados Unidos — para avançar planos de reabertura do Estreito de Hormuz.
- A iniciativa visa garantir a passagem de navios e o fluxo global de energia, após o Irã ter bloqueado o estreito desde o início do conflito.
- A operação é descrita como defensiva, com participação de países não beligerantes e dependente da situação de segurança para ser implementada.
- Planos militares estão em construção, com foco em inteligência, desminagem, escoltas e procedimentos de comunicação com Estados costeiros; drones de prospecção foram discutidos.
- Cerca de 30 países devem participar das conversas, incluindo Alemanha e Itália, em meio a mais de quarenta encontros diplomáticos recentes, e críticas ao fato de os EUA não integrarem a iniciativa.
Paris sedia nesta sexta-feira uma cúpula internacional liderada por Emmanuel Macron e Keir Starmer para avançar planos de reabertura do Estreito de Hormuz, rota petrolífera estratégica depauperada pela escalada entre EUA e Irã. O encontro reúne dezenas de países, mas não os Estados Unidos, para discutir segurança, comércio e energia.
O objetivo é construir uma iniciativa de liberdade de navegação pelo estreito, com participação de nações que não integram o conflito. A reunião ocorre após o início da guerra e o bloqueio efetivo do estreito, que corta o fluxo de uma quinta parte do petróleo mundial.
Na conjuntura, a liderança de França e Reino Unido tem pressionado por maior pressão diplomática e econômica sobre o Irã. A reunião ocorre enquanto o governo americano não participa das negociações de planejamento, segundo informações oficiais.
Participantes e planejamento
O esforço envolve encontros militares para mapear uma atuação coordenada. O governo francês sinaliza que a missão não será ofensiva, operando apenas com países não beligerantes e sob condições de segurança que possam permitir passagem segura.
A equipe de Macron enfatiza que os operadores de navegação precisam de meios para evitar ataques durante a passagem. As opções incluem inteligência, desminagem, escoltas militares e procedimentos de comunicação com estados costeiros, conforme fonte anônima próxima à presidência.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que atividades como desminagem e sistemas de alerta podem caber a coalizões, ao passo que o envio maciço de navios-escuta seria difícil de viabilizar. A participação europeia é destacada como alternativa viável ao papel dos EUA.
Perspectivas e contexto regional
Analistas reforçam que a cooperação entre países europeus pode reduzir tensões com Washington e evitar escaladas militares perto do litoral iraniano. Portugal, Canadá e outros aliados são citados como potenciais contribuidores, ainda sem confirmação de compromissos.
Entre os participantes, a agenda inclui detalhes logísticos para operações de passagem, com a presença prevista de líderes de pelo menos 30 países, entre eles representantes da região e da Ásia. A lista completa não foi divulgada pela organização.
A iniciativa surge como resposta a críticas do ex-alvo de mensagens de retaliação de Donald Trump, que questionou a participação de aliados. A estratégia busca demonstrar capacidade de ação independente para garantir fluidez energética global.
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