- O último dos pássaros de pedra de Zimbabwe retornou ao país após treze décadas e sete anos ausente, sendo recebido como símbolo da identidade nacional.
- A repatriação ocorreu pela África do Sul, que também devolveu oito conjuntos de restos humanos exumados durante o período colonial e doados a um museu sul-africano.
- O pássaro foi levado originalmente por Willi Posselt e vendido a Cecil Rhodes; parte dos itens acabou indo para museus na África do Sul e na Alemanha.
- A liberação ocorreu em meio a negociações que contornaram a lei Rhodes Will Act de mil e dez, com um acordo para empréstimo de dois anos, em expectativa de repatriação permanente.
- O retorno acontece em contexto de campanhas globais de devolução de artefatos saqueados; o pássaro ficará exposto no museu de Great Zimbabwe, patrimônio mundial reconhecido pela Unesco.
Zimbabwe recebe de volta a última das aves de pedra, símbolo nacional, após 137 anos fora do país. A obra, conhecida como Zimbabwe Bird, foi repatriada de território sul-africano nesta semana, encerrando um capítulo de saques coloniais e deslocamento cultural.
A ave de pedra cinza foi tirada de Great Zimbabwe no final do século 19, vendida a Cecil Rhodes e levada para museus na África do Sul. A devolução integra oito conjuntos de restos humanos exumados durante o período colonial e doados a um museu sul-africano.
Repatriação e significado
Na cerimônia de entrega, o ministro da Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie, descreveu o retorno como reconhecimento de que os corpos eram pessoas, não simples dados, enfatizando a remoção de seus túmulos e laços com a terra.
O retorno ocorre em um momento de intensificação de campanhas globais para devolver restos e artefatos saqueados a países africanos. A maior parte das devoluções recentes partiu de países europeus, mas esta transação é rara por envolver uma nação africana retornando.
Origens e significado cultural
Especialistas divergem sobre a origem exata das esculturas, com algumas hipóteses associando-as ao arauto bateleur ou ao hungwe, a águia-pintada. Para muitos zwidianos, as peças possuem grande significado espiritual, especialmente entre os povos Shona e Venda.
As aves guardavam Great Zimbabwe durante séculos, mas, na virada do século 19, caçadores, comerciantes e missionários europeus passaram a explorar a região, facilitando o saque.
Caminho jurídico e futuro
O último pássaro permaneceu fora do país por décadas devido a questões legais, incluindo a Lei Rhodes Will de 1910. A África do Sul aceitou emprestar a peça por dois anos, com planos de retorno definitivo a Zimbabwe.
Autoridades de Zimbabwe esperam consolidar o retorno permanente, após negociações que marcaram o encerramento de um longo processo de reconciliação cultural. A nação afirma que a ave retorna para ficar.
O retorno e o que vem a seguir
A peça retorna ao museu de Great Zimbabwe, ao lado de seus oito pares, para proteção e exposição. O presidente Emmerson Mnangagwa destacou a data como símbolo da identidade nacional e da reconciliação com o passado.
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