- Alexandre Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Orlando, Flórida, na segunda-feira, 13 de abril, e liberado dois dias depois.
- A detenção ocorreu no contexto de cooperação entre autoridades brasileiras e americanas para localizar e prender foragido com pedido ativo de extradição.
- Fontes apontam dúvidas sobre se o alto comando do ICE, do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Estado tinha conhecimento da cooperação citada pela Polícia Federal (PF).
- A apuração interna nos Estados Unidos busca entender se houve tentativa de driblar o Departamento de Estado, com ramificações políticas na decisão de soltura.
- Ramagem foi condenado a dezesseis anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal em setembro de 2025, ligada a crimes de organização criminosa e golpe de Estado; ele vive nos EUA desde o ano passado.
O governo americano abriu uma apuração interna sobre a prisão de Alexandre Ramagem pelo ICE, em Orlando, na Flórida. A detenção ocorreu nesta semana e foi seguida de soltura dois dias depois, após pressão de aliados bolsonaristas no Brasil. A motivação central é entender como houve a cooperação entre autoridades dos EUA e a PF.
A Polícia Federal informou que a prisão decorreu de cooperação policial internacional com autoridades americanas para localizar um foragido com pedido ativo de extradição. A PF afirmou não ter sido informada oficialmente sobre os motivos que levaram à soltura de Ramagem.
Ramagem, ex-diretor da Abin durante o governo Bolsonaro, foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 16 anos de prisão em uma ação relacionada a golpes e organização criminosa. Ele vive nos EUA desde o ano passado, alegando pedido de asilo, e está considerado foragido pela Justiça brasileira.
A apuração norte-americana busca esclarecer se houve conhecimento, no alto comando do ICE, do DHS ou do Departamento de Estado, sobre a cooperação citada pela PF para prender Ramagem. Há dúvidas sobre o alcance dessa cooperação e quem, de fato, autorizou ou participou do levantamento.
Segundo informações obtidas pela BBC News Brasil, a atuação pode ter ocorrido em níveis mais baixos do governo Trump, com adido da PF na Flórida conduzindo contatos que resultaram na detenção. Em 16/4, representantes da PF e do ICE discutiram a liberação de Ramagem.
Especialistas ouvidos apontam que, se a estratégia fosse contornar o Departamento de Estado para deportar Ramagem, poderia gerar ruídos diplomáticos entre Brasil e EUA. A extradição, no entanto, depende de autorização do Departamento de Estado.
A defesa de Ramagem não se manifestou até o momento. O governo brasileiro, por meio da PF, destacou que a cooperação ocorreu com interlocutores dos EUA para localizar o foragido, sem detalhar os motivos da soltura.
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