- O presidente José Antonio Kast, de ultradireita, ordenou a construção de muros na fronteira e suspendeu a regularização de 182 mil imigrantes; o plano lembra a política de Trump e houve o primeiro voo de deportação na nova gestão.
- Imigrantes no Chile relatam medo constante, aumento da xenofobia e a sensação de serem usados como bode expiatório; muitos consideram ir embora, incluindo venezuelanos com negócios e famílias no país.
- Segundo o Serviço Nacional de Migrações, 6.000 dos 182 mil imigrantes já teriam cometido algum delito, justificando a suspensão, mas o órgão não detalhou quais crimes.
- Casos como o de Clara, que pediu refúgio por perseguição política e hoje busca regularização extraordinária, ilustram a nova pressão sobre moradores irregulares.
- Especialistas avaliam que as propostas foram apresentadas sem estudo técnico, com efeito prático limitado e maior precariedade para imigrantes, repetindo estratégias de governos anteriores.
O Chile vive uma atmosfera de medo entre imigrantes após a posse de José Antonio Kast, líder de ultradireita. Medidas anunciadas incluem o endurecimento da fronteira e a suspensão da regularização de cerca de 182 mil imigrantes.
Imigrantes relataram mudanças no dia a dia: passaram a portar documentos o tempo inteiro e a perceber um aumento da xenofobia. Muitos dizem sentir-se alvo de abordagens policiais e de estigmatização associada à imigração.
O novo governo justificou as ações como forma de controlar a imigração irregular. Além de suspender a regularização, Kast propôs criminalizar a entrada de pessoas sem documentos, criando um ambiente de maior incerteza entre comunidades migrantes.
Venezuelanos, haitianos e outros migrantes afirmam que o clima de medo se intensificou desde a eleição de Kast. Dados da imigração apontam que milhares já deixaram o país ou ponderam a saída por insegurança econômica e social.
Alguns imigrantes conseguiram refúgio ou vistos temporários, mas o processo é demorado e, em muitos casos, a permissão é temporária. A incerteza sobre o reconhecimento de pedidos persiste entre quem busca regularização.
Especialistas ouvidos pela imprensa indicam que as medidas carecem de estudo técnico, apontando riscos de aumento da informalidade e da vulnerabilidade entre os migrantes. O governo sustenta que os ajustes são necessários para a segurança.
Analistas comentam que a comparação com fases anteriores mostra continuidade de políticas restritivas, com efeitos limitados sobre a saída efetiva de imigrantes. A percepção é de que muitos permanecem, porém em condições mais precárias.
O debate público acompanha relatos de famílias que temem a separação ou a perda de direitos básicos. Em meio à tensão, organizações de apoio reiteram a necessidade de proteção e de informações claras sobre caminhos legais.
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