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Irã reage com dureza ao bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz

Irã volta a fechar o Estreito de Ormuz após o bloqueio naval dos EUA, aumentando a tensão na rota de hidrocarbonetos e afetando mercados.

Um navio cargueiro é fotografado ao largo da cidade costeira de Fujairah, no Estreito de Ormuz, no emirado do norte, em 25 de fevereiro de 2026
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  • O Irã afirmou que retomou a “gestão rigorosa” do Estreito de Ormuz e fechou novamente a rota, após os EUA manterem o bloqueio naval aos navios iranianos.
  • A medida ocorre um dia após a rota ter sido reaberta, consequência do cessar-fogo no Líbano e das negociações entre Irã e Estados Unidos.
  • O comando militar iraniano acusou Washington de não cumprir a promessa de liberar a passagem de navios que navegam para dentro e fora do Irã.
  • O Irã disse que, se o bloqueio seguir, o Estreito de Ormuz não ficará aberto e que o trânsito dependerá de autorização do Irã.
  • As cotações do petróleo haviam caído com a expectativa de acordo, enquanto novas isenções americanas para petróleo russo foram anunciadas, pressionando o mercado.

O Irã informou neste sábado, 18, que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, um dia após a rota ter sido reaberta devido ao cessar-fogo no Líbano. A decisão coincide com a manutenção do bloqueio naval dos EUA aos navios iranianos. A medida funciona como resposta a alegações de que Washington não cumpriu promessas de facilitar a passagem pela rota.

O comando central militar iraniano afirmou que retomaria a gestão rigorosa de Ormuz, revertendo a liberação anterior da via estratégica. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, as autoridades destacaram que o bloqueio continua caso os navios de guerra norte-americanos não garantam a livre movimentação para navios que visitam o Irã.

Washington mantém o bloqueio naval na região, segundo o Exército do Irã, e a situação no estreito permanece sob controle rigoroso até que haja garantias de passagem para todos os navios que chegam ou saem dos portos iranianos.

Reabertura e tensões

A reabertura do estreito na sexta-feira tranquilizou parte dos mercados e gerou otimismo em Washington. O Irã autorizou o trânsito após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel, mas advertiu que pode fechar novamente o estreito se o bloqueio persistir.

Durante entrevista à AFP, o presidente Donald Trump afirmou que não havia pontos conflitivos para um acordo de paz, citando avanços na negociação. Também disse que o Irã concordou em entregar urânio enriquecido, ponto-chave das tratativas.

Entretanto, o Irã informou que seu urânio enriquecido não seria levado a lugar nenhum e enfatizou que, se navios de guerra americanos interceptarem embarcações iranianas, o estreito poderia ser fechado novamente, afetando o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito.

Reações políticas e econômicas

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o bloqueio naval não ficará sem resposta e que o trânsito dependerá de autorização da República Islâmica. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, reiterou que o Irã reage a bloqueios com medidas proporcionais.

Na mesma semana, o governo dos EUA expediu outra isenção para permitir a venda de petróleo russo já carregado, buscando preservar o abastecimento e, assim, pressionar para baixo os preços internacionais do petróleo. A medida ocorre em meio a negociações sobre o conflito na região.

O cessar-fogo no Líbano e a reabertura de Ormuz foram apresentados como avanços na linha de negociações entre Washington e Teerã. Em meio a esse cenário, famílias deslocadas retornam a Beirute, onde a trégua é disputada por várias partes envolvidas.

Situação no terreno

No Líbano, o processo de transição para um acordo permanente com Israel continua em andamento, segundo autoridades locais. As tensões entre Israel e o Hezbollah seguem refletidas em operações e declarações públicas, com foco na segurança da fronteira sul.

Os números de produção e trânsito de petróleo permanecem sensíveis a novas mudanças na passagem de Ormuz, que hoje representa uma fração relevante do comércio global de hidrocarbonetos. A comunidade internacional acompanha os próximos passos das negociações.

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