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Petróleo não voltará ao normal com cessar-fogo, diz Adriano Pires

Mesmo com cessar-fogo, mercado de energia permanece volátil; fechamento de Ormuz inaugura nova normalidade e corrida por diversificação de fornecedores.

Segundo Adriano Pires, com a nova dinâmica no estreito de Ormuz, empresas globais devem iniciar uma corrida para reduzir a dependência de fornecedores do Oriente Médio, como o Catar e a Arábia Saudita. Na imagem, navio petroleiro no Golfo Pérsico
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  • O mercado global de petróleo não deve voltar ao ritmo anterior mesmo com cessar-fogo no Oriente Médio; entra em uma nova normalidade, com volatilidade permanente.
  • O fechamento do estreito de Ormuz, que passou a bloquear grande parte do tráfego de petróleo e gás, marca a nova dinâmica geopolítica, impactando custos e seguros marítimos.
  • Com a região menos estável, países como EUA registraram recordes de exportação de petróleo bruto, elevando disputas por cargamentos entre Europa e Ásia.
  • A longo prazo, empresas devem buscar reduzir a dependência do Oriente Médio; o Brasil poderia se beneficiar com licenciamento rápido para a Margem Equatorial, sujeito a questões ambientais.
  • No curto prazo, a cotação pode ficar em torno de US$ 80 por barril; o Diesel chegou a R$ 7,26 por litro em março, reflexo do choque logístico.

O mercado global de combustíveis não deve voltar ao normal rapidamente mesmo com um cessar-fogo no Oriente Médio. A avaliação é do diretor do CBIE, Adriano Pires, colunista do Poder360. Ele trata o cenário como uma nova normalidade, com volatilidade permanente.

Segundo Pires, mesmo que haja fim do conflito, o fluxo mundial de energia permanece inseguro. A recuperação tende a ser lenta e o setor deve conviver com a pressão geopolítica de longo prazo. A ressaca logística é citada como parte dessa realidade.

Novo marco no estreito de Ormuz

O estreito de Ormuz, passagem estratégica que domina cerca de 20% do petróleo e gás globais, tem o tráfego praticamente bloqueado desde o início da ofensiva contra o Irã. A mudança marca o principal fator da nova dinâmica de preços e seguros marítimos.

O Irã informou que manteve o controle da passagem após alegações de descumprimento de acordo por parte dos EUA. A notícia veio na sexta e foi reiterada no sábado por autoridades iranianas. O episódio alimenta a tensão na região.

Donald Trump contestou o fechamento, classificando a atitude iraniana como atrevida e rejeitando chantagens. O governo americano mantém postura firme diante do bloqueio, ampliando a incerteza para o mercado global de energia.

impactos e caminhos

Com o fechamento, o custo dos seguros de embarcações passa a figurar entre as variáveis a serem observadas. Pires aponta que a instabilidade deve perdurar, mesmo com eventual cessar-fogo, devido à dependência energética da região.

A depender da nova configuração, empresas globais tendem a reduzir a dependência de fornecedores do Oriente Médio, como Catar e Arábia Saudita. A corrida por novas fontes pode favorecer fornecedores alternativos.

A viabilidade de longo prazo envolve investimento em gás natural e plantas de liquefação. Países estáveis, ou com alinhamento estratégico, podem atrair capital. Entre eles, o Brasil poderia se beneficiar com agilidade regulatória.

Para o Brasil, a ênfase fica na aceleração de licenciamento da Margem Equatorial, cuja viabilidade energética depende de avanços ambientais. O governo é lembrado como agente de celeridade para potencializar o cenário de segurança energética.

Quanto aos preços, a projeção para o curto prazo permanece cautelosa. O barril pode permanecer acima de US$ 80, com o preço de referência internacional influenciado pela extensão dos danos na região. Na sexta, houve cotação próxima a US$ 90,3.

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