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Acusações de crimes de guerra contra o soldado australiano mais condecorado

Acusado de cinco homicídios no Afeganistão, o mais condecorado soldado australiano enfrenta julgamento por crimes de guerra, com tramitação longa esperada

Um desenho mostra a apresentação em tribunal do militar australiano reformado Ben Roberts-Smith
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  • Ben Roberts-Smith, militar australiano condecorado, é acusado de cinco homicídios ocorridos no Afeganistão e enfrenta o processo na Austrália.
  • A primeira audiência por crimes de guerra aconteceu por videoconferência, em Sydney; Roberts-Smith permaneceu em silêncio e nega as acusações.
  • As acusações apontam mortes no complexo Whiskey 108, em 2009, incluindo um detido com deficiência e um homem algemado, além de suposta ordem para a execução de um novato.
  • Também há alegações sobre abusos em Darwan, em 2012, com empurrão de Ali Jan de um penhasco e uso de rádio para parecer que houve combate, entre outras ações descritas.
  • Os documentos indicam testemunhas oculares em todos os casos; o julgamento pode levar anos, e Roberts-Smith já se aposentou, tendo enfrentado processo civil por difamação anterior.

Ben Roberts-Smith, veterano australiano, foi formalmente acusado no início do mês por cinco homicídios ocorridos durante operações no Afeganistão. A audiência inicial por crimes de guerra ocorreu por videoconferência, em Sydney, com ele em silêncio. As acusações apontam para execução de prisioneiros e participação em rituais de iniciação violentos.

Novos documentos judiciais, obtidos pela BBC, detalham os casos. Segundo eles, familiares de duas vítimasAfegãs teriam sido encontrados algemados e mortos próximo a Tarin Kowt, em 2009. Entre as acusações estão o assassinato de um homem com deficiência, além de supostos abusos durante interrogatórios e o uso de itens para encobrir os crimes.

Detalhes das acusações

Entre 2009 e 2012, em operações do SAS, o militar foi acusado de diversos atos. Em um episódio no complexo Whiskey 108, dois homens teriam sido detidos, sendo que um deles, Ahmadullah, morto a tiros sob ordem atribuída a Roberts-Smith. O caso afirma que o próprio réu teria instruído um novato a executar um prisioneiro algemado.

Em Darwan, em 2012, Roberts-Smith seria responsável por agressões a detidos antes de empurrá-los de um penhasco. Um companheiro é apresentado como testemunha de que o chute levou Ali Jan a sofrer ferimentos graves. Os autos indicam ainda que um rádio foi posicionado ao lado da vítima para simular combate.

Em Syahchow, no mesmo ano, a acusação sustenta que detidos teriam sido mortos sob ordens diretas do comandante, com registro de que armas teriam sido usadas para encenar confronto. Há menção de testemunhas que teriam presenciado as ações, além de supostos elementos de encenação para justificar as mortes.

Desdobramentos processuais

Roberts-Smith se aposentou do serviço ativo em 2012 e deixou o Exército em 2015. A investigação sobre crimes de guerra ganhou força após reportagens em 2018, com o ex-soldado respondendo a um processo por difamação que não resultou em absolvição. O julgamento criminal ainda não tem data definida.

A defesa sustenta que o tema envolve um território jurídico inédito para a Austrália. Ao mesmo tempo, a acusação pretende usar testemunhos diretos e evidências técnicas para sustentar as alegações. O juízo concedeu fiança com condições rigorosas, sinalizando que o andamento do caso pode levar anos.

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