- Pierre Guillon de Prince, de 86 anos, apresenta o que é considerado o primeiro pedido público de desculpas na França por vínculos de sua família com a escravidão.
- Os antepassados dele possuíam navios que transportaram cerca de quatro mil e quinhentos africanos escravizados e tinham plantações no Caribe.
- O pedido foi feito em Nantes, durante evento que antecede a inauguração de um mastro simbólico de navio.
- Um descendente de escravos da ilha de Martinica, Dieudonné Boutrin, participou do ato e disse que o gesto exige coragem diante do silêncio de outras famílias com histórico semelhante.
- A França reconhece a escravidão como crime contra a humanidade desde 2001, mas não havia apresentado um pedido formal de desculpas; Guillon de Prince pede ações similares por outras famílias e pelo governo para enfrentar o legado histórico.
Pierre Guillon de Prince, de 86 anos, pediu publicamente desculpas na França pelo envolvimento de sua família com a escravidão, em Nantes, no sábado (18 abr 2026). O ato ocorreu antes da inauguração de um mastro simbólico de navio. A cerimônia teve participação de representantes locais e históricos familiares envolvidos.
Guillon de Prince afirmou que o passado não pode ser esquecido diante do crescimento do racismo. Ele mencionou a responsabilidade de transmitir a história às próximas gerações e defender que o governo e outras famílias reconheçam a participação histórica na escravidão transatlântica.
O descendente de escravizados Dieudonné Boutrin, natural da Martinica, acompanhou o evento. Ele descreveu o gesto como uma demonstração de coragem diante do silêncio de famílias com história semelhante, segundo a cobertura da Reuters.
Dados históricos lembrados na ocasião apontam que, entre os séculos 15 e 19, cerca de 12,5 milhões de africanos foram escravizados e transportados para diversas regiões. A França participou de aproximadamente 1,3 milhão desses casos, conforme o cálculo citado na reportagem.
Em 2001, a França reconheceu a escravidão como crime contra a humanidade, mas não apresentou um pedido formal de desculpas. Guillon de Prince defende que outras famílias e o governo adotem medidas semelhantes para tratar o legado escravocrata.
O chamado envolve ações mais amplas para enfrentar a herança do período, incluindo educação e reconhecimento público. A notícia foi veiculada pela Reuters, destacando o papel de Nantes como polo histórico do tráfico de escravizados.
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