- Lançamento da nova biografia de Rasputin, Rasputin: The Downfall of the Romanovs, com síntese sobre seu papel na queda da família imperial russa; edição brasileira pela Planeta, prevista para novembro.
- Rasputin, camponês siberiano semianalfabeto, tornou-se confidente da czar Nicolau II e da czarina Alexandra, influenciando decisões políticas e a pasta de ministros.
- O historiador Antony Beevor destaca a habilidade de Rasputin em se comunicar com as mulheres da corte, ajudando a cativar a elite e a aumentar sua influência sobre Alexandra.
- Rumores sobre a relação com a czarina e suas filhas abalaram a imagem da monarquia, contribuindo para a descrença pública e a erosão da legitimidade do regime.
- Rasputin foi morto em 1916 por envenenamento e tiro; a abdicação de 1917 e a execução da família Romanov em 1918 encerraram a dinastia.
Grigori Rasputin, camponês siberiano semianalfabeto, emerge como figura central na queda da família Imperial russa. A nova biografia Rasputin: The Downfall of the Romanovs, de Antony Beevor, analisa o papel do monge na crise que levou ao fim dos Romanov no início do século XX. O livro, já lançado no Reino Unido, EUA e Canadá, chega à edição brasileira pela editora Planeta em novembro.
Segundo Beevor, Rasputin desenvolveu uma habilidade incomum de se comunicar com mulheres, o que facilitou sua aproximação da elite russa. Alexandra, czarina, ficou particularmente influenciada, apesar de a corte desprezar o místico. A relação entre o casal imperial e o religioso alimentou rumores e desconfianças na sociedade.
O episódio com o czarevich Alexei, portador de hemofilia, consolidou a dependência entre Rasputin e a czarina. Em Spala, na Polônia, o místico supostamente enviou um telegrama assegurando a recuperação da criança, fortalecendo a imagem de milagreiro junto ao casal.
Com o passar do tempo, Rasputin passou a influenciar decisões do governo russo, opinar sobre nomeações e estratégias militares. Alexandra demitiu governadores e ministros considerados simpáticos ao místico, gerando uma rotatividade que ficou conhecida como salto de ministros.
Além disso, o comportamento pessoal de Rasputin — bebedeiras e acusações de abusos sexuais — alimentou escândalos na sociedade. A imprensa começou a questionar a legitimidade da liderança, fortalecendo a narrativa de controle pelo místico.
Rumores sobre relações entre Rasputin e a czarina e suas filhas contribuíram para a desmoralização da monarquia. Embora não haja provas de relações físicas, cartas atribuídas a Alexandra reforçaram a percepção pública de uma proximidade demais.
Essa imagem abala a credibilidade de Nicolau II e favorece o afastamento do apoio ao regime. No inverno de 1917, a revolução ganha força e muitos oficiais perdem a disposição de lutar pela monarquia, abrindo espaço ao avanço revolucionário.
A morte de Rasputin, envenenado e morto por tiros em 1916, pretendia salvar o império ao afastá-lo dos Romanov. O desfecho não impediu a abdicação em 1917 nem o destino trágico da família, executada em julho de 1918. O monge, porém, permanece como símbolo do período.
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