- Gunther Rudzit, professor da ESPM e da Unifa, aponta falhas de leitura política e estratégica para entender os desdobramentos do confronto entre EUA, Israel e Irã.
- Ele critica a ideia de que o regime iraniano poderia colapsar com a eliminação de lideranças, destacando que a decapitação não enfraqueceu o sistema.
- O professor ressalta o erro de supor que o inimigo vai reagir como se espera, lembrando que na guerra o plano nem sempre sobrevive ao primeiro contato com a realidade.
- Segundo ele, o Irã adota uma resposta menos convencional, com pressão indireta e efeitos econômicos para atingir o centro de gravidade do adversário.
- O Estreito de Ormuz entra na estratégia de dissuasão do Irã, conforme o histórico de ameaças e o uso de vulnerabilidades econômicas como ferramenta de pressão.
O professor Gunther Rudzit, da ESPM e da Unifa, aponta falhas de leitura política e estratégica para entender o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo ele, as dificuldades de Teerã em reagir às pressões ajudam a explicar os desdobramentos do conflito.
Rudzit participou do programa WW Especial, da CNN Brasil, para debater lições estratégicas da guerra no Oriente Médio. Ele recorre ao pensamento de Carl von Clausewitz para sustentar a análise, destacando que a guerra é orientada pela política, não apenas pela força militar.
O docente enfatiza que decisões políticas devem ditar objetivos, não apenas comandos militares. Quem define os objetivos de uma guerra, segundo ele, é a liderança civil, não o aparato bélico. A leitura de Clausewitz é entendida como base para avaliar a atual dinâmica regional.
Análise de Clausewitz
Rudzit aponta que houve uma leitura equivocada da estrutura de poder iraniana, incluindo a ideia de colapso do regime pela eliminação de lideranças. A estratégia de decapitação não teria enfraquecido o sistema, segundo ele.
Também comenta um erro clássico de projeção de padrões de comportamento sobre o adversário em cenários de guerra. *É comum imaginar que o inimigo reage como se espera*, o que nem sempre ocorre no terreno.
Ele afirma que o Irã adotou uma resposta menos convencional, com pressões indiretas e impactos econômicos. A estratégia seria explorar vulnerabilidades econômicas como forma de pressão estratégica, conectando-se ao objetivo de atingir o centro de gravidade do oponente.
Estratégias de dissuasão
O professor cita o histórico de ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz como parte dessa lógica de dissuasão. O tema não é novo no discurso iraniano e continua a compor a estratégia regional.
Rudzit critica decisões tomadas por consensos fechados entre lideranças políticas e militares. O pensamento de grupo, segundo ele, pode reduzir o questionamento e dificultar a adaptação às mudanças do conflito.
O episódio analisado ocorreu em um contexto de tensão persistente na região, com impactos tanto políticos quanto econômicos para países da área. As interpretações destacam a necessidade de leitura mais ampla sobre cada ator e suas fronteiras estratégicas.
Publicado por Jorge Fernando Rodrigues, o material traz a visão de Rudzit sobre lições estratégicas para o debate público. O programa WW Especial é apresentado por William Waack e vai ao ar aos domingos, às 22h, pela CNN Brasil.
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