- Lula relembrou, em conferência com o chanceler alemão, uma tentativa de mediação no Irã em 2010, dizendo ter convencido Ahmadinejad a não enriquecer urânio para bomba atômica.
- O presidente citou que, na época, líderes ocidentais temiam o enriquecimento iraniano e que um acordo fez parte do processo, mas EUA e União Europeia aumentaram o bloqueio ao Irã depois.
- Lula afirmou não acreditar que o Irã esteja perto de obter armas nucleares e comparou a situação a outras crises, como Gaza, Ucrânia e Venezuela.
- O premiê alemão Friedrich Merz ressaltou a diplomacia e disse que a Alemanha defende maior investimento em segurança sem recorrer a invasões; ele também destacou a necessidade de solução diplomática para o Irã, Israel e EUA.
- Os dois líderes defenderam reformas da Organização das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança; Lula mencionou apoiar a entrada da Alemanha como membro permanente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma conferência de imprensa com o chanceler alemão Friedrich Merz, em Berlim, durante visita à Alemanha. O tema central foi a crise no Oriente Médio, com Lula relembrando uma tentativa de mediação no Irã em 2010 e avaliando o cenário atual. Ele não citou planos de Nobel, apenas comentou a experiência como marco de diálogo.
Segundo Lula, naquele ano ele, acompanhado por um colega turco, reuniu-se com o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em Teerã. Na ocasião, o acordo proposto previa não enriquecer urânio para uso militar, com parte do material ficando na Turquia. O grupo avaliava, na prática, um caminho para reduzir tensões. O líder brasileiro citou ainda que a reação europeia e norte-americana após o acordo foi de aumento de sanções.
Diplomacia e cenários atuais
Merz ressaltou que a Alemanha defende a diplomacia para disputas internacionais, mantendo postura firme em segurança, sem contemplar invasões. O premiê reforçou a busca por soluções diplomáticas envolvendo Irã, Israel e EUA, diante da insegurança energética europeia.
Lula também lembrou que Cuba enfrenta um bloqueio econômico prolongado e destacou paralelos com Gaza, Ucrânia, Venezuela e Irã, sempre sob o prisma de violações de direitos humanos e políticas de pressão internacional. O presidente enfatizou que não acredita na possibilidade de uma invasão a Cuba, mantendo o tom de avaliação factual.
Reforma da ONU e mudanças na governança
Em relação à ONU, o alinhamento com Merz apontou para a necessidade de reformas no Conselho de Segurança, com o Brasil apoiando a inclusão da Alemanha como membro permanente. Segundo ambos, mudanças na Carta e no Estatuto da organização são essenciais para uma governança mais democrática.
Lula comentou ainda a agenda eleitoral brasileira, dizendo não haver turbulência e que o calendário eleitoral está distante. Ele afirmou estar aberto ao debate público, mantendo o tom institucional durante a viagem pela Europa.
Encerramento da visita
O giro pela Europa se encerra nesta terça-feira, com passagem por Lisboa, onde Lula deve se reunir com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente de Portugal, António Costa. A agenda permanece centrada em temas diplomáticos, energéticos e de governança global.
Entre na conversa da comunidade