- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o chanceler alemão Friedrich Merz em Hannover, assinando acordos de cooperação em várias áreas após a reunião bilateral.
- Lula criticou a paralisia da Organização das Nações Unidas e destacou a necessidade de soluções diplomáticas para o conflito no Oriente Médio e para a situação na Ucrânia.
- Os dois participaram de entrevista coletiva e falaram sobre a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos em Cuba, com apelo por soluções diplomáticas.
- Foi celebrada a entrada em vigor provisória, em maio, do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia; Lula ressaltou potencial de cooperação além do livre comércio, com ênfase em direitos humanos e meio ambiente.
- Merz e Lula discutiram oportunidades em minerais críticos e biocombustíveis, destacando parceria Brasil-Alemanha para desenvolvimento tecnológico e descarbonização do transporte.
Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira em Hannover com o chanceler alemão Friedrich Merz para discutir a situação mundial e ampliar cooperações. A conversa ocorreu durante a visita oficial à Alemanha, já na terceira reunião entre os dois desde 2023. Lula participou ainda da abertura da Hannover Messe, destacando o Brasil como tema da feira.
Após o encontro bilateral, os dois líderes falaram sobre a atual incerteza causada pela guerra no Oriente Médio e pela instabilidade internacional. Também trataram das possíveis intervenções dos EUA em Cuba, em meio a ameaças reiteradas do governo americano, e da necessidade de soluções diplomáticas. A sessão ocorreu na cidade alemã de Hannover.
Merz pediu uma reunião extraordinária da ONU para discutir medidas cabíveis e citou impactos econômicos do fechamento do Estreito de Ormuz. Lula reiterou a crítica àqueles que atacam a integridade territorial e defendeu soluções diplomáticas para conflitos regionais, incluindo o Irã, o Líbano e a Ucrânia.
Contexto internacional
Durante a coletiva, os dois chefes de governo anunciaram acordos de cooperação em áreas como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética e pesquisa oceânica. O objetivo é ampliar vínculos entre Brasil e Alemanha, com foco tecnológico e ambiental.
O chanceler alemão ressaltou que o acordo Mercosul-UE, aprovado recentemente, entrará em vigor de forma provisória em maio. A parceria é apresentada como marco para cooperação tecnológica, ambiental e industrial entre os blocos.
Lula destacou que o mecanismo pode promover direitos humanos, meio ambiente e proteção trabalhista. O presidente brasileiro citou também objeções às métricas de carbono propostas pela UE, defendendo equilíbrio e regras multilaterais para o comércio.
Cooperação econômica e acordos
Segundo os relatos, Brasil e Alemanha firmaram acordos de cooperação em defesa, IA, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, energia, biocombustíveis e pesquisa climática. A Alemanha figura como quarto maior parceiro comercial do Brasil, com volume de comércio próximo de US$ 21 bilhões em 2025.
Merz afirmou interesse alemão em investir em minerais críticos, recursos essenciais para tecnologia e transição energética. O Brasil figura entre as maiores reservas globais, o que alimenta a agenda de cooperação bilateral nesse setor.
Biocombustíveis e minerais críticos
Lula reforçou o papel do Brasil como desenvolvedor de tecnologia além de fornecedora de matéria-prima. Apostas em biocombustíveis foram destacadas como ferramenta de descarbonização do transporte, com potencial para complementar políticas energéticas.
Merz enfatizou que, no Brasil, o avanço de biocombustíveis já demonstrou maturidade tecnológica e pode servir de modelo para outras economias. A parceria visa ampliar o intercâmbio tecnológico e a cadeia de processamento local.
A dupla enfatizou, ainda, a necessidade de diversificação energética e o papel de soluções diplomáticas para reduzir tensões internacionais, com foco na estabilidade global e na prevenção de conflitos que afetem a economia mundial.
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