- Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou à BBC que o Irã decidirá o direito de passagem pelo Estreito de Ormuz e não abrirá mão do controle, apresentando um projeto de lei no parlamento baseado no artigo 110 da Constituição.
- O Estreito de Ormuz é visto pelo Irã como arma estratégica para dissuasão e influência sobre o tráfego de petróleo e gás, com o governo apontando que o controle continuará sendo vital.
- Há divergências regionais: Omã participa de discussões para garantir trânsito seguro; aliados e adversários discutem consequências, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, pressione pela abertura do corredor marítimo.
- As negociações de alto nível sobre o futuro do estreito devem ocorrer em Islamabad a partir do dia 21 de abril, após uma rodada inicial em que representantes dos dois lados se reuniram na mesma cidade.
- Internamente, há críticas e tensão entre elites iranianas, com declarações conflitantes sobre a situação diplomática, enquanto Azizi reforça que a segurança nacional não admite moderação na abordagem ao estreito.
Ebrahim Azizi, antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), afirmou à BBC que o Irã não cederá o controle do Estreito de Ormuz. Segundo ele, o país decidirá o direito de passagem por meio de leis que devem ser apresentadas no parlamento.
O parlamentar, que preside a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, destacou que o Estreito é visto como direito inalienável do Irã. Segundo Azizi, um projeto de lei baseado no artigo 110 da Constituição aborda meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional, com objetivo de implementar o controle pela via legal.
A fala ocorre em meio a incertezas sobre a possibilidade de fechamento da rota, que tem impactos econômicos globais significativos. Azizi descreveu o estreito como ativo estratégico para a dissuasão e uma alavanca de longo prazo em negociações regionais.
Contexto institucional e militar
O alto representante integra um parlamento marcado pela influência da IRGC, após ataques israelenses que atingiram figuras-chave no país. Azizi reiterou que a prioridade do Irã após a guerra é restaurar a dissuasão, com o estreito entre as principais alavancas estratégicas.
Analistas citados pela imprensa local ressaltam que Teerã vê o controle da passagem como ferramenta de negociação, não apenas uma moeda de troca. Comentários de especialistas apontam que a estrutura de poder no Irã está em disputa, com opiniões divergentes entre setores da elite.
Repercussões regionais e internacionais
Vizinhos do Irã manifestaram desconforto com a posição de Ormuz, especialmente após cinco semanas de conflito que geraram tensões na região. Emmanuel Gargash, conselheiro de um país do Golfo, descreveu o estreito como conjunto de águas que exige cooperação para evitar precedentes arriscados.
Alguns aliados do Irã, como Omã, participam de negociações para assegurar o trânsito de embarcações. A comunidade internacional observa com cautela como as autoridades iranianas pretendem equilibrar segurança, comércio e relações com potências externas.
Especulações sobre negociações e próximos passos
Registros de comunicação indicam que negociações em Islamabad devem ocorrer novamente após uma primeira rodada. Informações oficiais não confirmam participação direta do Irã, diante de bloqueios e condições diplomáticas vigentes.
O governo americano já indicou disposição de enviar delegação ao Paquistão para discutir o tema, com referência constante à abertura do estreito. Em resposta, autoridades iranianas mantêm posição de controle, destacando a centralidade da soberania nacional.
Observações sobre segurança interna
Azizi enfatizou que não há espaço para abordagens moderadas versus radicais em temas de segurança nacional. Questionado sobre prisões e denúncias de direitos humanos, o parlamentar manteve o foco na defesa dos interesses do Estado e da segurança regional, sem descrever medidas específicas.
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