- Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia, afirma que o conflito entre EUA, Israel e Irã está gerando a pior crise energética já vista, com o fechamento do estreito de Ormuz afetando petróleo e gás natural liquefeito.
- A crise se soma à guerra entre Rússia e Ucrânia, que já interrompeu o fornecimento de gás à Europa, elevando a tensão nos mercados globais.
- Segundo Birol, a situação atual é pior do que as crises de 1973, 1979 e 2022 somadas, conforme avaliação apresentada em entrevista ao Conexão Record News.
- A participação da Rússia no abastecimento europeu de gás caiu de 45% para 10% desde o início da guerra, levando a Europa a buscar diversificação, inclusive com o Catar, que também está envolvido na logística via Ormuz.
- O Catar, maior fornecedor para a Europa, atua como gasoduto de gás natural liquefeito, mas também está inserido no contexto de pressões geopolíticas envolvendo o Irã e o estreito de Ormuz.
O presidente da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que o conflito no Oriente Médio e a interrupção do tráfico no estreito de Ormuz podem agravar a pior crise energética global já registrada. Segundo a agência, o estreito é passagem para cerca de 20% do petróleo mundial e para parte do gás natural líquido exportado.
A crise se soma aos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já interrompeu o fornecimento de gás russo à Europa. Especialistas apontam que as duas frentes elevam a pressão sobre os mercados de energia e segurança brasileira. A avaliação ocorre em meio a volatilidade de preços e dos fluxos de abastecimento.
Em debate apresentado ao vivo, o professor Vitelio Brustolin explicou que classificar a gravidade depende do critério adotado. Ele lembrou que o preço do Brent ainda não passou pela duplicação observada em 2022, nem pela ampliação de quatro vezes vista em 1973. Ormuz e gás russo são os principais gatilhos citados.
Segundo Brustolin, a Rússia respondia por cerca de 45% do gás utilizado na Europa antes do conflito. Hoje, esse percentual caiu para aproximadamente 10%. A diversificação foi tentada, com o Catar ganhando protagonismo, mas o fornecimento catarino também se insere no atual contexto de tensão regional, ampliando a percepção de crise.
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