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Especialista diz que comparação entre PCC e máfia italiana faz sentido

Especialista aponta que PCC desenvolveu estrutura empresarial sofisticada, atua internacionalmente com violência seletiva e usa fintechs para lavar recursos

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  • A publicação do The Wall Street Journal comparou a dimensão do PCC aos grupos criminosos italianos, e o ex-secretário José Vicente disse que a comparação faz sentido.
  • O PCC desenvolveu uma estrutura empresarial sofisticada que o diferencia de outras facções brasileiras.
  • Ele compra drogas em grande quantidade com base em produção na Bolívia, Colômbia e Peru, e o quilo pode sair de cerca de US$ 1 a US$ 5 mil, chegando a até US$ 100 mil em locais como Hong Kong.
  • A violência é estratégica e seletiva, lembrando a Cosa Nostra, com foco em alvos específicos; o PCC evita confrontos diretos com a polícia.
  • O dinheiro obtido é aplicado no mercado financeiro, principalmente via fintechs, para lavagem e investimento em empresas legais ou envio a outros países.

O PCC, Primeiro Comando da Capital, é tema de uma avaliação publicada pelo The Wall Street Journal que compara a organização ao que existe de mais estruturado entre mafias italianas. A leitura é baseada em dados apresentados por José Vicente, ex-secretário nacional de Segurança Pública, em entrevista ao CNN Prime Time.

O ex-gestor afirma que o PCC desenvolveu uma estrutura empresarial sofisticada que o diferencia de outras facções brasileiras. Segundo ele, a facção paulista evoluiu de um controle prisional para uma atuação ampla no tráfico e em atividades correlatas.

Vicente destaca a atuação do PCC em cooperação com produtores de drogas vizinhos, como Bolívia, Colômbia e Peru. Ele cita custos de aquisição baixos e margens de venda que chegam a patamares elevados em mercados internacionais.

Estrutura empresarial e alcance internacional

A explicação é de que o grupo tem grande capacidade de negociação e gestão, incluindo operações de compra de grandes volumes. O entrevistado aponta que drogas compradas por valores subsidiados podem ser revendidas por altas margens em mercados como Hong Kong.

O especialista descreve uma lógica de operações que envolve relação com mercados compradores e com estruturas criminosas internacionais, enfatizando a necessidade de organização para o mercado global de entorpecentes.

Vicente também comenta sobre o uso de violência seletiva. Segundo ele, o PCC vem reduzindo ações violentas em determinadas regiões, adotando ataques direcionados a alvos que atrapalham o funcionamento de seus negócios.

O ex-secretário relembra casos que teriam impactos pontuais, como ações contra delatores ou entraves logísticos, sem buscar confronto direto com as forças de segurança. Ele aponta ainda o fluxo de recursos para o mercado financeiro, com uso de fintechs para lavagem e investimento.

Os recursos obtidos pelo PCC seriam encaminhados para práticas financeiras legais aparentes ou enviados a países com regime mais favorável à gestão de capitais, segundo a visão de Vicente.

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