- Japão aprovou revisão ampla das normas de exportação do setor de defesa, abrindo a possibilidade de vender armamentos letais ao exterior pela primeira vez em cinquenta anos.
- As novas diretrizes permitem a comercialização de praticamente qualquer equipamento militar, desde que haja aprovação governamental, respeito à proibição de reexportação não autorizada e compromisso com a Carta das Nações Unidas.
- A medida faz parte de uma estratégia para impulsionar a indústria de defesa do país e integrá-lo às cadeias globais de suprimentos, além de buscar dissuadir a China.
- Pequim informou que está seriamente preocupada com a decisão, classificando-a como militarização imprudente do Japão.
- A primeira-ministra Sanae Takaichi reiterou que não houve mudança no compromisso do Japão com seu caminho pacifista, apesar das novas diretrizes.
O governo do Japão aprovou nesta terça-feira, 21, uma ampla revisão das normas de exportação do setor de defesa. A mudança permite a venda de armamentos letais ao exterior, como caças, mísseis e navios de guerra. A decisão quebra meio século de veto.
Até então, Tóquio restringia as exportações a cinco categorias: equipamentos de resgate, transporte, vigilância, alerta e varredura de minas. As novas diretrizes autorizam praticamente qualquer tipo de equipamento militar, com aprovação governamental e regras como a não reexportação e o compromisso com a Carta das Nações Unidas.
A primeira-ministra Sanae Takaichi ressaltou, em postagem publicada, a necessidade de parcerias para paz e segurança. A medida integra a estratégia de fortalecer a indústria de defesa e ampliar participação do Japão em cadeias globais de suprimentos militares, buscando dissuadir ameaças da China.
Contexto estratégico
Pequim expressou preocupação com a mudança, classificando-a como militarização imprudente. O governo chinês afirmou que a comunidade internacional permanecerá vigilante e resistirá à militarização do Japão.
Nos últimos anos, o Japão tem elevado seus gastos militares, aproximando-se de 2% do PIB, com perspectivas de novos aumentos sob o governo atual. Defensores dizem que a medida é essencial para a segurança nacional.
Críticas também existem, apontando riscos ao pacifismo histórico do país. Organizadores afirmam que a reforma pode alterar compromissos de longa data. A liderança japonesa negou qualquer mudança nesse sentido.
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