- Um ex-alt funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse ter visto pressão constante do gabinete do primeiro-ministro para acelerar a nomeação de Mandelson como embaixador nos EUA.
- Starmer disse que nomear Mandelson foi um erro e reconheceu arrependimento, mas responsabilizou funcionários por não avisarem sobre a impressão de aprovação de segurança.
- Olly Robbins, ex-chefe do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que havia uma expectativa muito forte de que Mandelson ocupasse o posto o mais rápido possível, segundo depoimento a um comitê.
- Robbins reconheceu que o gabinete do primeiro-ministro também pressionou para assegurar cargos diplomáticos para outras pessoas, incluindo Matthew Doyle, ex-diretor de comunicações de Starmer.
- O caso aumenta a pressão sobre Starmer, com parlamentares pedindo esclarecimentos e sem sinal de demissão iminente, até as eleições locais na Inglaterra e votações regionais no País de Gales e na Escócia em maio.
Um depoimento de um ex-alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido amplia a pressão sobre o premiê Keir Starmer no caso Mandelson. A testemunha afirma ter enfrentado forte pressão para acelerar a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA. A nomeação gerou polêmica por vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein.
A depender de quem se leia, as declarações sinalizam que a nomeação já era tratada como fato consumado. Robbins afirma que havia uma expectativa elevada para que Mandelson assumisse o posto o quanto antes, e que o gabinete do primeiro-ministro pressionava o processo.
Atribuições e respostas oficiais
Starmer afirmou ter considerado a nomeação um erro e expressou arrependimento, mas responsabilizou o gabinete de Relações Exteriores por não avisar sobre uma recomendação contrária de segurança. O governo sustenta que o chanceler foi mantido informado ao longo do processo.
Olly Robbins, ex-chefe-adjunto do Foreign Office, foi demitido recentemente após Starmer e a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, afirmarem ter perdido a confiança nele. Robbins descreveu pressão constante em janeiro de 2025 para concluir a nomeação rapidamente.
Detalhes do processo de verificação
Robbins disse que Mandelson já havia recebido autorização preliminar e acesso a briefings confidenciais. Segundo ele, bloquear a nomeação naquele estágio teria prejudicado as relações com os EUA. Também afirmou que a decisão de verificação foi tratada como caso limítrofe.
O ex-funcionário apontou que a unidade de verificação de segurança não repassava relatórios aos ministros para proteger a confidencialidade do candidato. A defesa de Robbins sustenta que a mensagem de aprovação não chegou ao premiê.
Repercussões políticas
O caso vem alimentando críticas internas ao governo de Starmer, após a vitória histórica do Partido Trabalhista em 2024. Parlamentares destacam a Revelação de Robbins sobre a pressão da Downing Street por cargos, incluindo para Matthew Doyle, ex-diretor de comunicações do líder.
Alguns ministros passaram a distanciar-se discretamente de Starmer em meio às denúncias sobre Mandelson. O tema deve permanecer em pauta de atenção pública até as próximas eleições locais e regionais.
Contexto e desdobramentos
Questionado sobre a nomeação, o ministro da Energia, Ed Miliband, disse que o tema poderia ter consequências. O episódio reforça a expectativa de que novas informações venham a público e influenciem a percepção sobre a gestão de Starmer.
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