- O professor Tarek Masoud, da Universidade de Harvard, participa do WIRED para responder dúvidas sobre o Governo do Irã, incluindo o regime, o futuro e a guerra.
- O Irã é apresentado como uma ditadura com características eleitorais: o líder supremo detém o poder, e o presidente e o parlamento são eleitos, com o líder exercendo controle sobre políticas e forças militares.
- A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) é a principal força militar do regime, incluindo exércitos, forças navais e aéreas, forças especiais (Força Quds) e um braço de mobilização (Basij). A IRGC também atua na economia e apoia proxies no Oriente Médio.
- Os protestos no Irã, ocorrendo repetidamente desde 2009 até 2022, são brutalmente reprimidos, mas eleições periódicas podem moderar parte da pressão por mudanças.
- Sobre o futuro, o entrevistado considera que a melhor perspectiva é uma democracia estável, citando educação, participação de mulheres e contribuições científicas iranianas como evidências de capacidade para uma democracia duradoura.
O professor Tarek Masoud, da Harvard University, participa do WIRED para responder questões da internet sobre o Governo do Irã. O foco é entender se o Irã pode ser chamado de ditadura, qual é o futuro mais plausível e quais mal-entendidos cercam o conflito atual. O material é apresentado pela série Tech Support, Iran.
Masoud afirma que o Irã funciona como uma ditadura com componentes eleitorais que não a tornam uma democracia plena. O artigo 5º determina que o líder supremo seja um clérigo de alta virtude; o artigo 6º prevê governança via opinião pública expressa em eleições. Há presidente e parlamento eleitos, e até o corpo que escolhe o líder supremo.
Estrutura e poder
O líder supremo fica no topo, define políticas e controla as chefias militares. O presidente gerencia o dia a dia, com decisões em áreas como política social. O sistema combina poderes, com o líder influenciando o Cao das Forças Armadas e políticas estratégicas.
A história recente cita Ayatollah Khomeini como criador do modelo, seguido por Ali Khamenei, que não era Ayatollah na eleição para o posto. A sucessão do filho Mojtaba é amplamente discutida, enquanto a liderança permanece fortemente ligada ao IRGC, grupo-chave na política externa, na segurança interna e na economia.
Protestos e resistência
Desde 2009, com movimentos como a Green Revolution, e até os atos de 2022, com o movimento Mulher, Vida e Liberdade, as manifestações persistem. A repressão tem sido violenta, porém há momentos em que eleições oferecem canais de expressão moderada para reformas.
Masoud aponta que a presença de eleições não elimina a energia de contestação. O IRGC é visto como conservador ideológico capaz de sustentar o regime frente a pressões. A relação entre protestos contínuos e o aparato estatal é complexa e central para entender a estabilidade do governo.
Guerra de informações
O analista destaca que o conflito atual envolve uma forte dimensão informacional. Vídeos de propaganda e desinformação podem circular amplamente, tanto por meio de ferramentas modernas quanto por redes privadas. O equilíbrio de informações é considerado mais parelho do que se pode supor.
Ele também observa que, mesmo com bombardeios, o regime pode buscar sair vitorioso simbolicamente, mas a capacidade de sustentar o poder pode ser degradada pela pressão popular. As consequências variam conforme a dinâmica entre forças no terreno e na opinião pública.
Futuro do Irã
Sobre o melhor caminho, Masoud acredita que a democracia é o objetivo mais alcançável e desejável para o Irã, reconhecendo que o país tem alta escolaridade, avanços educacionais e uma sociedade civil com potencial. Um regime liberal poderia trazer benefícios ao Irã e ao cenário global.
Por fim, o professor ressalta a importância de compreender a história, a cultura e as contribuições persas para entender o país. A conversa encerra sem indicar conclusões, apenas aponta possibilidades a partir de dados históricos e atuais.
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