- O comissário europeu para Transporte e Turismo Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, disse que o bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz seria catastrófico para a Europa e a economia global, mesmo sem falta imediata de combustível.
- O estreito é estratégico: cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais passavam por ali antes das tensões; a Europa importa entre 30% e 40% de seu combustível de aviação, metade vindo do Oriente Médio.
- A Comissão Europeia anunciará, no dia 22, um pacote para energia e transporte, incluindo a criação de um observatório de combustíveis para monitorar estoques, oferta e gargalos.
- A UE pode orientar companhias aéreas sobre slots, direitos dos passageiros e serviços públicos em caso de falta de insumos; existem estoques de emergência de combustível de aviação, liberados apenas quando necessário, com transparência de mercado.
- A União avalia fontes alternativas, como combustível de aviação vindo dos Estados Unidos, e pretende acelerar o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e sintéticos; o setor ainda não vê ruptura, mas já sente alta de custos, com alerta de possível escassez a partir de junho.
O comissário europeu para Transporte e Turismo Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, advertiu que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz teria efeito catastrófico para a Europa e a economia global. A declaração ocorreu após reunião de ministros da UE sobre a escalada no Oriente Médio.
A Comissão Europeia informou que não há falta imediata de combustível, mas alertou que restrições contínuas em Ormuz podem impactar transporte aéreo, logística, empresas e consumidores do bloco. Sem liberdade de navegação permanente, o efeito seria severo, segundo a avaliação oficial.
A aliança europeia destaca a importância estratégica de Ormuz para o mercado global, já que cerca de um quinto do petróleo e do gás natural líquido passam pela rota. A UE importa entre 30% e 40% do combustível de aviação, com metade vindo do Oriente Médio.
Medidas da UE para energia e transporte
A UE pretende apresentar nesta quarta-feira um pacote amplo de ações para energia e transporte. Entre as propostas está a criação de um observatório de combustíveis, começando pelo combustível de aviação, para monitorar estoques e gargalos com maior agilidade.
A comissária afirmou que a UE pode orientar companhias aéreas sobre slots, direitos dos passageiros e obrigações de serviço público em caso de falta de insumos. A ideia é reduzir impactos operacionais enquanto a crise persiste.
Reservas e diversificação
Tzitzikostas informou que a Europa mantém estoques de emergência de combustível de aviação, liberando-os apenas quando necessário. A decisão nacional deve ocorrer com total transparência para evitar distorções de mercado dentro do bloco.
A Comissão avalia fontes alternativas, incluindo combustível de aviação vindo dos EUA. O insumo americano apresenta diferenças técnicas, como um ponto de congelamento mais alto, o que exige ajustes operacionais.
Caminhos para a resiliência energética
A crise também pode acelerar decisões estruturais, segundo o comissário. A UE busca avançar em combustíveis sustentáveis de aviação e combustíveis sintéticos, reduzindo a dependência de importações do Oriente Médio.
A estratégia de curto prazo busca mitigar choques de preço e, ao mesmo tempo, tornar o sistema de transporte mais robusto para crises futuras. O pacote completo deve acompanhar a resposta imediata.
Percepção do setor e riscos
Operadores do setor informaram que não houve ruptura generalizada de fornecimento, mas já houve pressão de custos. Empresas como IAG e DHL afirmam não enfrentar desabastecimento, embora com preços elevados.
A Agência Internacional de Energia já sinalizou que a escassez pode aparecer a partir de junho se a situação em Ormuz permanecer. O planejamento europeu, portanto, visa evitar impactos adicionais para a cadeia produtiva.
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