- O governo de Israel tem intensificado laços com governos de extrema direita na Europa e nas Américas, mas esse alinhamento aparece mais frágil diante de mudanças políticas.
- O presidente argentino, Javier Milei, visitou Israel e foi recebido como amigo próximo, mas suas ações o colocam em choque com tradições diplomáticas argentinas, incluindo o reconhecimento de Jerusalém como capital.
- Milei reconheceu o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã e o Hamas como organizações terroristas, e promete transferir a embaixada argentina para Jerusalém.
- O avanço das relações com direita e extrema direita coincide com um recuo do apoio bipartidário tradicional dos Estados Unidos a Israel, especialmente diante da maior polarização no país.
- Casos como a Hungria e a Itália ilustram a instabilidade: novos governos sinalizam distanciamento de políticas de Israel, enquanto Netanyahu busca alianças de curto prazo em meio a tensões regionais.
Israel enfrenta sinais de fragilidade em suas alianças com governos de extrema direita na Europa e nas Américas. A presença de Milei em cerimônia oficial em Israel evidencia a proximidade entre o governo israelense e o presidente argentino de linha dura, em visita que já ocorre pela terceira vez em menos de três anos. Milei assumiu em dezembro de 2023 e tem adotado posições controversas.
Entre as ações do governo argentino, o presidente reconhece organizações consideradas terroristas por Israel, como o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã e o Hamas, além do Hezbollah. Ele também sinalizou a transferência da embaixada para Jerusalém, rompendo tradições diplomáticas argentinas. Tais gestos aproximam o país de Netanyahu, segundo a diplomacia israelense.
Para analistas, o alinhamento com lideranças direitistas não configura ruptura estrutural da política externa de Israel. O objetivo seria manter pragmatismo e vínculos estáveis, mesmo em cenários de mudança de poder em parceiros. O foco permanece em obter apoio em frente a múltiplos desafios regionais.
Aliados, não amigos
Observadores ressaltam que governos parcelares de direita têm ganhado espaço na cena global, o que favorece aproximações com lideranças conservadoras. A relação com governos como os de Jair Bolsonaro, Viktor Orbán e Giorgia Meloni aparece como parte de uma estratégia de cooperação prática, não de afeto político.
Segundo pesquisadores, Israel prioriza alianças estratégicas frente a controvérsias. A diplomacia busca apoio consistente, sem depender de uma única bancada ou coalizão nos seus principais parceiros históricos. Isso se manteve mesmo com mudanças no governo dos Estados Unidos.
Na prática, a relação com Washington passou por ajustes. O governo de Netanyahu recebeu apoio americano em ações regionais, ampliando o papel de Washington em seus interesses. A avaliação é de que o alinhamento ajudou a enfrentar crises, como a tensão com o Irã.
Curto prazo e incertezas
Analista aponta que o pragmatismo israelense privilegia ganhos imediatos quando a situação exige respostas rápidas. Ainda assim, esse desenho pode elevar riscos caso haja mudanças bruscas de poder entre parceiros. A interação com o governo húngaro ilustra as flutuações.
Em outras frentes, novas leituras políticas nos EUA ampliam dúvidas sobre o apoio bipartidário que antes sustentava a relação. Observadores destacam que conflitos internos podem exigir que Israel faça escolhas mais claras entre atores políticos.
Outros exemplos regionais indicam distanciamento de aliados europeus. Em Itália, críticas aos bombardeios e suspensão de acordos de defesa sinalizam que firmeza de alianças pode ceder diante de tensões diplomáticas. O cenário atual favorece uma leitura de incerteza.
A conclusão entre especialistas é que o cenário é de vulnerabilidade relativa. O foco permanece na continuidade de apoio imediato para operações militares e estratégias de curto prazo, com atenção aos cenários de longo prazo que possam emergir.
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