- Conflitos no leste da República Democrática do Congo desde o início de 2025 espalharam centenas de milhares de pessoas, com mais de 80 mil refugiados congoleses buscando abrigo em campos superlotados de Burundi, como Busuma e Musenyi.
- O influxo levou à criação do campo de Busuma em dezembro de 2025, após a tomada de Uvira pelo grupo M23.
- As condições nos campos são precárias: há acesso limitado a água, comida e assistência médica, e cerca de dois terços da população não tem abrigo.
- Organizações humanitárias atuam na desinfecção e em serviços básicos; a UNICEF destaca que muitas crianças são as mais afetadas pela situação.
- Muitos refugiados estão separados de familiares, com relatos de deslocados que trabalham com carvão ou recebem ajuda de parentes no exterior; há relatos de famílias que ainda desconhecem o paradeiro de parentes na DRC.
No food, no shelter, no blankets: refugiados congoleses enfrentam condições precárias em campos de Burundi, onde a crise se intensifica desde 2025. Conflitos no leste da República Democrática do Congo (RDC) expulsaram centenas de milhares de pessoas, com dezenas de milhares buscando abrigo em Burundi, um dos países mais pobres do mundo.
Mais de 80 mil refugiados congoleses atuam nos campos de Busuma e Musenyi, que recebem um fluxo contínuo desde o auge dos confrontos na região de South Kivu. O governo de Burundi trabalha com organizações humanitárias para atender à demanda crescente por água, alimento e serviços de saúde.
Busuma, criado em dezembro de 2025, surge como resposta à chegada de refugiados após a tomada de Uvira pelos rebeldes M23. A concentração de pessoas sobrecarregou serviços locais, dificultando o acesso a recursos básicos.
Vítimas relatadas pela reportagem incluem Estelle Tilifoza, que deixou Baraka com o marido e cinco filhos. Ela cruzou o Lago Tanganica e hoje vive em Rumonge, enfrentando condições de extrema dificuldade no campo, com água, comida e assistência médica limitadas.
Outra refugiada, Nema Shukuru, busca notícias do marido por meio de serviço do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O histórico de deslocamentos envolve episódios de separação familiar, agravando o sofrimento.
Julienne Chigalo, de 53 anos, revela reencontros emocionais via ligação de um filho na França. Ela vive em Musenyi e sustenta-se com o dinheiro enviado pelo filho, afirmando que a ajuda é essencial para evitar a fome.
A população infantil representa mais da metade dos moradores de Busuma, segundo a Unicef. Aproximadamente dois terços não possuem abrigo adequado, elevando riscos de exposição às intempéries e doenças. Muitos já estão separados de familiares.
O chorume de madeira, carvão e madeira é comum no entorno dos acampamentos, onde famílias dependem da coleta de lenha para cozinhar e vender. A falta de recursos reforça a vulnerabilidade dos refugiados diante do frio e da carência de alimentos.
A Cruz Vermelha de Burundi, com apoio do CICV, atua em atividades de desinfecção e serviços básicos de saúde. A equipe trabalha para conter doenças e reduzir a transmissão em um contexto de alta densidade populacional.
Esperance Sakina Hatari, de Mutarule, chegou a Busuma em dezembro de 2025. Ela foca na produção de carvão perto da entrada do campo, tentando manter a renda familiar, enquanto o grupo lida com a separação de parentes e a escassez de alimentos e cobertores.
Esperance Malikia, acompanhada de um cordeiro, caminha com a família pelo acampamento. Em meio à pobreza, muitos refugiados dependem de ajuda humanitária para sobreviver e manter a dignidade em condições desafiadoras.
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