- A televisão estatal iraniana mostrou tropas mascaradas chegando a uma lancha cinza ao lado do MSC Francesca e entrando no navio, em imagens que o Irã diz ter capturado no Estreito de Ormuz.
- O Irã afirma controlar o estreito após impasses nas negociações de paz com Washington, que não resultaram na reabertura da passagem estratégica.
- A primeira receita de uma taxa cobrada de navios que usam o estreito foi transferida para a conta do banco central, segundo o vice-presidente do parlamento, sem mais detalhes.
- O Irã sustenta que lanchas rápidas e drones marítimos estão abrigados em cavernas próximas à entrada do estreito, dificultando ações da Marinha dos Estados Unidos.
- O Paquistão segue em contato com as partes sobre negociações, mas autoridades iranianas não confirmam envio de delegação; os EUA mantêm o bloqueio e não houve nova rodada de negociações anunciada.
O Irã exibiu neste jueves (23) maior controle sobre o Estreito de Ormuz por meio de imagens transmitidas pela TV estatal. Replicas mostram comandos mascarados desembarcando de uma lancha cinza junto aos navios MSC Francesca e Epaminondas, na abertura do estreito, sob alegação de captura.
As cenas mostram tropas subindo por cordas até a passagem do casco do MSC Francesca, portando rifles. Em seguida, aparecem secções do Epaminondas. O Irã afirma ter pego os dois navios na quarta-feira, por suposta travessia não autorizada do canal.
O vice-presidente do parlamento informou que a primeira cobrança de uma taxa de passagem foi creditada ao banco central. Não houve detalhes sobre valores, origens ou prazos.
Gholamhossein Mohseni-Ejei, chefe do Judiciário, disse que os navios atacados enfrentaram a lei. Juntas, lanchas rápidas e drones estariam abrigados perto de uma ilha na entrada, dificultando a aproximação de forças americanas.
Desdobramentos diplomáticos
O Irã mantém o controle efetivo do estreito desde que negociações de paz, previstas com a participação de Washington, foram canceladas na terça-feira, próximos ao fim de um cessar-fogo de duas semanas. Teerã condiciona a reabertura à suspensão de sanções às exportações iranianas.
Fontes do setor marítimo indicam que as forças armadas dos EUA interceptaram ao menos três petroleiros com bandeira iraniana, desviando-os para posições próximas à Índia, Malásia e Sri Lanka. O objetivo seria manter o estreito sob controle durante as tensões.
A delegação americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, não seguiu para novas negociações. O Irã afirma estar aberto ao diálogo, mas ressalta que o bloqueio permanece se não houver mudanças nas exigências dos EUA.
O Paquistão participa das negociações como sede de um dos encontros iniciais e permanece em contato com as partes. Autoridades paquistanesas dizem que ainda não há previsão de nova data para uma rodada formal.
Repercussões econômicas e militares
Especialistas destacam que a medida eleva a volatilidade dos mercados de petróleo, já pressionados por incertezas sobre o fluxo de energia. O Brent subiu acima de US$ 103 por barril, refletindo o choque de oferta.
No noticiário militar, o Pentágono informou mudanças na liderança da Secretaria da Marinha, com a demissão de John Phelan por divergências sobre construção naval. A tensão no estreito amplia o escrutínio internacional sobre a disputa regional.
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