- O caso ocorreu na última segunda-feira, dia 20, em Modiin, quando o judeu Alex Sinclair foi detido por usar um quipá bordado com as bandeiras de Israel e da Palestina.
- Sinclair, escritor de 53 anos e professor adjunto da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou ter sido revistado, levado a uma delegacia e liberado cerca de vinte minutos depois.
- Ele disse que uma policial recortou a bandeira da Palestina do quipá; a polícia reconheceu a ocorrência, mas não mencionou as bandeiras nem danos ao objeto.
- A polícia informou ter recebido uma ligação sobre alguém usando um quipá com a bandeira palestina e que o deteve para esclarecimentos, sem detalhar os motivos.
- O caso é considerado raro: autoridades costumam confiscar bandeiras palestinas de palestinos; a exibição da bandeira palestina não é proibida por lei, mas pode ser restringida se houver risco de desordem ou de apoio a organizações terroristas.
- Sinclair registrou queixa ao Departamento de Investigações Internas e busca indenização pelo quipá; ele planeja usar um novo quipá com as duas bandeiras.
Alex Sinclair, escritor de 53 anos e professor adjunto da Universidade Hebraica de Jerusalém, foi detido pela polícia de Israel por usar um quipá bordado com as bandeiras de Israel e da Palestina. O episódio ocorreu na segunda-feira, em Modiin, cidade a cerca de 35 km ao sudeste de Tel Aviv. Segundo ele, a polícia confiscou parte do objeto religioso.
Em relato publicado no Facebook, Sinclair descreveu que estava trabalhando num café quando um homem religioso se aproximou e exigiu que ele retirasse o quipá, alegando que era contra a lei. O autor diz ter tentado conversar, mas o outro não ouviu e chamou a polícia.
Dois agentes chegaram e disseram que o quipá violava a legislação, anunciando o confisco. O escritor relata ter sido levado a uma delegacia, revistado, e mantido em uma cela sem água, telefone ou instruções claras sobre o que ocorreria a seguir.
Após cerca de 20 minutos, a polícia autorizou a libertação, sem devolver imediatamente o quipá, que Sinclair usava há 20 anos. Segundo ele, apenas quando insistiu é que o objeto foi devolvido.
Sinclair afirma que a jovem policial no comando teria recortado a bandeira palestina do quipá, destratando um objeto ritual de grande importância para ele. A polícia confirmou a ocorrência, mas não detalhou as acusações nem mencionou as bandeiras.
O caso, segundo especialistas, é incomum. Em Israel, a polícia costuma confiscar bandeiras palestinas de palestinos para evitar desordem. Já a retirada de um quipá por carregar símbolos de ambos os lados é atípica, especialmente para um judeu praticante.
A legislação israelense não proíbe publicamente a exibição da bandeira palestina, mas autoridades podem restringir o uso se houver indícios de apoio a organizações terroristas ou risco de desordem. Em 2023, o ministro Itamar Ben Gvir orientou policiais a remover bandeiras palestinas, o que gerou controvérsia institucional.
Em nota, a polícia reconheceu o episódio, sem detalhar as bandeiras nem confirmar a alegação de dano ao quipá. A instituição informou apenas que recebeu uma ligação sobre um homem usando um quipá com a bandeira palestina e que o detido foi liberado após esclarecimentos.
Sinclair afirmou à CNN que o quipá simboliza a identidade dele como judeu e como sionista, que reconhece também os direitos do povo palestino à autodeterminação. Ele disse que pretende usar um novo quipá com as duas bandeiras assim que possível.
O escritor apresentou queixa ao Departamento de Investigações Internas, alegando detenção ilegal e danos à propriedade, além de buscar indenização pelo quipá. A expressão de sua identidade não deve ser confundida com apoio a ações extremistas, assegurou.
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