- Cerca de 300 mil pessoas ficaram presas no fluxo de retorno após o governo dos EUA fechar o acesso à asilo via CBP One, nos últimos meses.
- Muitos migrantes começaram a refazer o percurso rumo ao sul da América, enfrentando trajetos perigosos pela América Central e do Sul, incluindo o Darién Gap.
- Casos como o de Mario Torres destacam o endurecimento das políticas de imigração e a violência que muitos enfrentam durante a jornada, incluindo tentativas de sequestro no México.
- A redução de recursos humanitários e o recuo de dados dificultam o monitoramento de fluxos, retornos e populações retidas em Guatemala, Costa Rica, Panamá e demais países da região.
- Além das dinâmicas de retorno, há uma escalada de medidas de contenção e crackdown migratório em vários países da região, com impactos sobre quem busca proteção, trabalho e estabilidade.
O que aconteceu: a partir de 2024, após a vitória de Donald Trump e a implementação de medidas rígidas de migração, milhares de pessoas que buscavam asilo nos EUA viram portas fecharem. A expansão de uma política que interrompeu o acesso ao asilo na fronteira EUA-México desencadeou um movimento de retorno e deslocamento em toda a América Latina. Estima-se que cerca de 300 mil migrantes estavam no pipeline do CBP One, programa que permitia solicitar entrada aos EUA, quando o mecanismo foi interrompido.
Quem está envolvido: migrantes vindos principalmente da Venezuela, com presença de haitianos, colombianos, cubanos e outros nacionais. Entre eles, Mario Torres, venezuelano que percorreu nove países em meses até chegar a Monterrey, no México, em janeiro de 2025, e Eduin, também venezuelano, que permanece em busca de recursos em Panamá com a família. As instituições humanitárias, agências da ONU e organizações não governamentais também atuam, com capacidade de monitoramento severamente reduzida pelos cortes de financiamento.
Quando ocorreu: a mudança ocorreu a partir de 20 de janeiro de 2024, quando o governo dos EUA retomou sua gestão, e ganhou força ao longo de 2024 e 2025. O impacto humano se estende até o presente, com muitos migrantes ainda em trânsito ou em países de acolhimento precário.
Onde aconteceu: o eixo principal envolve a rota norte-sul pela América Central e do Norte, com foco na fronteira México-EUA, no Darién Gap entre Colômbia e Panamá, e em trajetos que vão de México a países da América do Sul, como Colômbia, Peru, Equador e Chile. Regiões como Tapachula, no sul do México, Panamá City e outras cidades da região são pontos-chave de mobilidade ou estagnação.
Por que aconteceu: a mudança de política migrou o foco de proteção internacional para controle de fronteiras, reduzindo fluxos legais e ampliando o uso de medidas de dissuasão. A retração de fundos humanitários agravou a vulnerabilidade de quem ficou pelo caminho, dificultando a assistência e a monitorização de fluxos.
O que aconteceu a seguir: muitos migrantes iniciaram o chamado fluxo inverso, voltando para o Sul, após enfrentarem risco elevado na travessia do Darién ou permanecerem sem perspectiva de entrada legal aos EUA. Panelas de informações indicam que parte da população retornou a países de origem ou de trânsito, enquanto outros seguem buscando estabilidade em destinos como Colômbia, Peru, Chile e Panamá.
Como isso se manifesta na prática: relatos de violência, apreensão de recursos e dificuldade de subsistência marcaram a vida de quem ficou. Mulheres, crianças e famílias enfrentam custos elevados com passagem, aluguel e alimentação, enquanto a ausência de proteção formal dificulta a regularização da situação. Em Panamá, migrantes sem documentação vivem com salários baixos, contribuindo para uma situação de precariedade prolongada.
Desdobramentos regionais: a política de contenção migratória reverberou pela região, com governos da região discutindo acordos de acolhimento de migrantes de terceiros países e medidas de controle fronteiriço. Países como Chile, Peru, Equador e Costa Rica discutem ou implementam estratégias para lidar com fluxos reduzidos, mas ainda relevantes. A dinâmica regional permanece volátil, com novas rotas surgindo e quedas repentinas de números.
Situação atual e perspectivas: especialistas destacam que a reversão das rotas e a cooperação regional são cruciais para evitar aumentos de vulnerabilidade, imobilidade e novas ondas de migração forçada. A capacidade de monitoramento de dados diminuiu, dificultando a compreensão precisa do que acontece nos diversos pontos de passagem.
Acesso à informação e fontes: organizações humanitárias e redes de migração relatam lacunas de dados sobre o retorno e a situação de migrantes retraídos. Testemunhos de trabalhadores de ONGs e de refugiados ajudam a compor o retrato, mas a falta de dados confiáveis continua dificultando políticas públicas efetivas.
Mudanças de rota e custos: o custo de passagem para redes criminosas aumentou para cerca de 300 dólares, elevando as barreiras de entrada. Como consequência, muitos migrantes ficam retidos em pontos de fronteira ou cidades de trânsito, esperando condições mais estáveis para seguir viagem.
Impactos políticos regionais: a onda de políticas anti-imigração tem influenciado não apenas o cenário dos EUA, mas também governos latino-americanos. Em alguns países, autoridades prometem endurecer controles, enquanto outras na região avaliam caminhos para a proteção de pessoas vulneráveis, sem abandonar a cooperação regional.
Conclusão: a crise de migração na região continua em evolução, marcada por fluxos reversos, rotas perigosas e uma complexa interdependência entre políticas nacionais e assistência humanitária. O quadro demanda monitoramento constante, dados confiáveis e cooperação regional para evitar novas formas de precariedade entre quem busca vida melhor.
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