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Na Casa da Misericórdia

Hospedagem e cuidado no House of Mercy, em Odesa, acolhe idosos e deslocados, enfrentando apagões e queda de recursos durante a guerra

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  • O Mosteiro de São Miguel, em Odesa, abriga a House of Mercy, que presta cuidado a pessoas deslocadas pela guerra e a residentes mais velhos.
  • A instituição pode acomodar até cinqüenta desplazados e cento e cinqüenta idosos, funcionando como centro de cuidado e de oração.
  • Desde o início do conflito, a demanda por vagas aumentou, e funcionários enfrentam quedas de energia e recursos limitados para manter os serviços.
  • A gestão do hospice fica a cargo da irmã Flávia, que atua há três anos com firmeza e dedicação, oferecendo dignidade e apoio emocional aos moradores.
  • Além do cuidado, a casa recebe gestos de afeto diários dos trabalhadores, que preparam três refeições diárias e momentos de alegria, mesmo em meio ao sofrimento causado pela guerra.

O House of Mercy, abrigo mantido pelo mosteiro São Miguel, em Odesa, funciona desde 1999 para acolher pacientes abandonados, doentes e deslocados pela guerra. Localizado perto de um parque, o espaço oferece cuidados médicos, apoio psicológico e espaço para oração.

O atendimento é feito por freiras e funcionários que enfrentam os impactos do conflito. A demanda aumentou desde a invasão russa, ampliando a capacidade para 50 moradores deslocados e 150 residentes idosos. Os recursos, porém, costumam ser limitados.

Desde 1835, o mosteiro tem relação estreita com a comunidade local. Hoje, a casa abriga pessoas que perderam contato com familiares, além de quem busca refúgio durante ataques, com alimentação diária garantida.

Acolhimento e rotina

Sister Flavia coordena o hospice há três anos, mantendo uma rotina de apoio emocional, higiene e conforto. Moradoras constroem vínculos de confiança com a equipe, que inclui cozinheiras, cuidadoras e voluntárias.

Entre os residentes, Antonina Dudkina, 93 anos, pediu livros emprestados; a filha fugiu do país. O convívio diário ajuda na comunicação com quem permanece, mesmo com visitas esparsas.

Nadiia Lysych, 88, planeja ficar no local até o fim, para não ser um peso para a família. Um colega de quarto, Klaudiia Kozachenko, 88, compartilha experiências e apoio mútuo, diante da distância de familiares.

Desafios na guerra

As equipes enfrentam cortes de luz por ataques a usinas. Em situações de escassez, trabalham com iluminação de celulares e buscam alternativas para manter serviços. A alimentação é preparada por três cozinhas diárias, com reforços ocasionais de lanches.

A vida no abrigo também envolve despedidas e reencontros. Moradores destacam a dedicação da equipe, que mantém o tratamento respeitoso e digno, mesmo diante do sofrimento.

Perspectivas e fé

Abadessa Seraphima Shevchyk ressalta que a igreja oferece suporte emocional à comunidade, irradiando força e compostura. O espaço religioso funciona em conjunto com atividades diárias, incluindo aulas de história e estudos teológicos.

O ambiente também se tornou berçário para gatos abandonados, que hoje superam o número de residentes humanos. Cada noite, Sister Flavia reza e encontra forças na oração e no canto coral.

Conclusões provisórias

O House of Mercy permanece como ponto de referência para assistência a idosos e deslocados em meio ao conflito. O funcionamento depende de doações e do esforço contínuo de pessoas ligadas ao mosteiro, que continuam a adaptar-se às dificuldades da guerra.

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