- O Irã
exige cobrar até 2 milhões de dólares por embarcação que atravessa o estreito de Hormuz, como parte de um plano de paz de 10 pontos, com passagem sob gestão militar iraniana condicionada à cobrança.
- O pagamento já foi testado recentemente, com navios fornecendo detalhes sobre carga, destino e proprietário; caso aprovado, seriam escoltados pela Guarda Revolucionária.
- A prática é contestada internacionalmente: contraria a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, e os EUA rejeitam o direito do Irã sobre o estreito.
- O custo para o mercado seria significativo: cada barril poderia gerar até um dólar adicional, somando cerca de 20 milhões de dólares por dia ou 7 bilhões de dólares por ano, com custos maiores com fretes e seguros.
- Impacto global: especialistas afirmam que o efeito sobre o preço do petróleo seria contido se o fluxo voltasse ao normal, mas há riscos de volatilidade e impactos econômicos maiores se o estreito permanecer sob controle iraniano.
A segunda rodada de negociações de paz entre EUA e Irã começou em meio a ataques a navios-tanque no estreito de Hormuz e a bloqueio norte-americano a embarcações iranianas pela rota estratégica. O tema central são as condições para uso do estreito.
O governo iraniano prevê cobrar até 2 milhões de dólares por navio que transita pelo estreito, em um plano apresentado em uma proposta de paz de 10 pontos. A cobrança seria destinada, segundo Teerã, à reconstrução.
Navios que desejam passar teriam de informar carga, destino e proprietário final antes de pagar a tarifa de pelo menos 1 dólar por barril. A passagem seria realizada sob gestão militar iraniana e escolta de barcos da Guarda Revolucionária.
Essa prática já foi testada recentemente. Relatos indicam que o valor de 2 milhões de dólares é cobrado por navio de petróleo bruto, com kilha de pagamento em yuan ou criptomoeda. Países como Malásia, China, Egito, Coreia do Sul e Índia passaram pela rota.
Legalidade e custos
A medida contraria a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos), que garante passagem livre por estuários como Hormuz. Países como Irã e EUA não são parte plena da Unclos, o que complica disputas legais.
Sanções internacionais também complicam operações: várias jurisdições impõem restrições a pagamentos a órgãos ligados ao Irã, o que afeta grandes empresas de transporte e seguros. A viabilidade prática envolve riscos legais.
O impacto financeiro estimado aponta que cada dólar a mais por barril poderia acrescentar bilhões de dólares em custos diários de energia. Empresas de navegação devem repassar custos e seguros mais altos.
Repercussões no mercado
A interrupção total do estreito reduziu o fluxo regional para cerca de 10 milhões de barris diários, elevando o preço do petróleo no mercado global. Analistas estimam que o barril pode permanecer acima de US$ 100 por meses, possivelmente até 2027.
Especialistas destacam que a volta aos volumes pré-crise depende da normalização da rota e da restauração de infraestrutura danificada. O custo de uso do estreito tende a pressionar preços de forma sustentável.
Para Teerã, o dinheiro arrecadado com o “pedágio” permitiria financiar setores econômicos e o retorno de exportações, dissolvendo parcialmente o impacto das sanções. A estimativa é de redesenhar o mapa de receitas do país.
Especialistas avaliam que o efeito global dependerá da persistência dos bloqueios e da capacidade de reverter a via de transporte para níveis pré-crise. Entidades internacionais ressaltam a importância da estabilidade na região.
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