- O petroleiro Akti A, com 300 mil barris de diesel, conseguiu atravessar o estreito de Hormuz após enfrentar um cerco de navios e pressão da Guarda Revolucionária do Irã, em meio a declarações de que a passagem estaria “completamente aberta”.
- A travessia pode levar até oito horas, e condições diplomáticas mudam rapidamente, o que complica a saída de embarcações presas no golfo.
- Navios de grandes tradings, como CMA CGM e outras, tentaram passar, mas alguns retornaram após ataques ou alertas de militares iranianos.
- O Irã realizou ações militares no canal, alegando apreender dois navios porta-contêineres em retaliação a sanções, o que intensifica o risco de bloqueio da rota.
- Empresas como Trafigura e Mercuria tentaram resgatar petroleiros, com relatos de pouca ou nenhuma remuneração direta pelo direito de passagem, e destacam a necessidade de coordenação internacional para evitar custos e riscos adicionais.
Estima-se que o estreito de Hormuz continue a ser uma rota extremamente sensível para o trânsito de petroleiros durante o conflito na região. Um navio-tanque menor, o Akti A, conseguiu avançar após enfrentar cerco de navios e a presença de lanchas da Guarda Revolucionária. A passagem ocorreu em meio a declarações iranianas sobre a abertura da rota.
O Akti A carrega 300 mil barris de diesel e estava ativo perto do Bahrein. O navio, de bandeira grega, ficou parado carregado durante semanas, enquanto ataques a outros navios na área elevavam o risco de passagem. Em seguida, entrou na fila de navios buscando saída para o Atlântico via Cabo da Boa Esperança.
A travessia, que pode durar até oito horas, depende de condições políticas e de segurança no canal. Durante a escalada, Teerã reiterou controle sobre o estreito, restringindo a passagem a navios autorizados pela Guarda Revolucionária. Operadores temiam ataques ou retenções que atrasassem a saída.
Empresas de petróleo enfrentam custos elevados com seguros, manutenção de frotas e taxas portuárias adicionais devido ao bloqueio e às tensões na região. Ao longo de oito semanas de conflito, rotas de fuga surgiram e recuaram rapidamente, alterando planos de navegação de forma abrupta.
Entre os envolvidos, grandes tradings como Trafigura, Mercuria e Vitol trabalham para retirar frotas presas no Golfo. Inicialmente, a Trafigura tinha dez navios retidos; apenas o Dhalkut, com ligação a Omã, conseguiu sair em 2 de abril, acompanha de um trio de embarcações.
A Mercuria informou que três navios estavam no Golfo no início do conflito, todos já saíram, segundo fontes próximas. A empresa manteve reserva sobre os detalhes operacionais de remoção, citando a sensibilidade do tema.
Outros atores tentaram atravessar o estreito com rotas alternativas. Navios associados à CMA CGM tentaram a travessia, mas recuaram após incidentes com projéteis. Navios não autorizados por autoridades iranianas também buscaram passagem, com menor divulgação de informações sobre custos ou retornos.
Estratégias de passagem envolvem alianças com países próximos ao Irã. Omã, com presença de acordos de cooperação, registrou várias travessias por vias próximas a suas águas territoriais. Países aliados também são citados como possíveis vias de pagamento de pedágios ao Irã.
Diversas compras de passagem ocorreram sem pagamento direto aos iranianos, segundo relatos de operadoras. Entre os navios que conseguiram atravessar apareceu uma flotilha de cruzeiros, com navios da MSC Cruises e Tui, que afirmaram ter seguido procedimentos de coordenação com autoridades locais e sem uso de transações com o Irã.
Em operações destacadas, seis navios da MSC teriam transitado sem transponder ativo, aumentando o sigilo sobre as travessias. Entretanto, dois navios da MSC que teriam sido apreendidos pela Guarda Revolucionária estavam fretados ou sob a propriedade da empresa, segundo apurações não citadas diretamente.
Líderes do setor ressaltaram a necessidade de maior coordenação entre governos para facilitar saídas seguras de navios comerciais. Comentários de executivos apontaram a existência de vias oficiais que permitam passagem sem recorrer a métodos de alto risco.
A situação continua sujeita a mudanças conforme desenvolvimentos militares e diplomáticos na região. A influência das tensões entre EUA, Irã e seus aliados complica previsões sobre novas aberturas do estreito e possíveis acordos de passagem para navios mercantis.
Entre na conversa da comunidade