- O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo do Irã está “seriamente fragmentado” e ameaçou interromper ataques até que haja liderança unificada nas negociações de paz.
- A imprensa americana aponta desdobramentos no poder iraniano, com relatos de que generais da Guarda Revolucionária teriam influência dominante e haveria disputa entre linha-dura e moderados.
- Teerã nega a fragmentação, defesa a unidade do país e acusa inimigos de promover propaganda; o líder supremo Mojtaba Khamenei é visto como viável articulador do poder, segundo reportagens.
- Houve sinais de divisão interna: o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, foi substituído em termos de protagonismo, e Mohammad Bagher Ghalibaf passou a ser apontado como principal negociador do Irã.
- A Guarda Revolucionária e a ala militar são citadas como responsáveis pelas principais decisões sobre segurança, guerra e diplomacia, enquanto anúncios de reabertura do Estreito de Ormuz geraram desautorização estatal.
Em meio a um cessar-fogo que já dura duas semanas, Irã e Estados Unidos travam uma nova batalha de narrativas. Trump afirma que o governo iraniano está seriamente fragmentado, o que o levaria a suspender ataques até que haja uma liderança unificada nas negociações de paz. Teerã, por sua vez, sustenta que o país está forte, unido e sob controle, e acusa adversários de promover propaganda enganosa.
A imprensa norte-americana trouxe relatos de desfechos no Kremlin iraniano, apontando fissuras entre setores do regime. Um artigo do The New York Times indicou que generais da Guarda Revolucionária teriam assumido maior protagonismo nas decisões do governo. Enquanto isso, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, foi anunciado como novo líder supremo, após a morte de Ali Khamenei, em 2026, início da crise de poder. O anúncio ocorreu rapidamente após o ataque que também feriu Mojtaba, que permanece em recuperação em local secreto e sem aparições públicas.
Do ponto de vista iraniano, não houve fragmentação do governo. Figuras próximas ao presidente e ao gabinete de comunicação deram declarações desmentindo qualquer desentendimento entre as principais autoridades. A imprensa estatal publicou mensagens sobre a unidade nacional, reforçando que o Irã está articulando suas estratégias sem ruptura institucional.
Reações oficiais e leituras sobre o poder
Seyyed Mehdi Tabatabaei, dirigente de comunicação do gabinete presidencial, afirmou pela imprensa estatal que as acusações de divisão não passam de propaganda externa, destacando a existência de consenso entre as casas de poder. Em tom similar, a imprensa ligada ao regime destacou que o Irã está vitorioso em questões de segurança e diplomacia, mantendo as cartas nas mãos da liderança.
Mojtaba Khamenei divulgou mensagens elogiando a unidade nacional e desmentindo fissuras entre diferentes correntes, ressaltando a necessidade de manter o foco na defesa do país diante de pressões externas. Já Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, afirmou pelas redes sociais que não existem linhas duras nem moderadas, enfatizando a unidade entre a nação, o Estado e a liderança.
Perspectivas sobre o papel dos atores militares
A imprensa internacional trouxe ainda informações sobre o papel da Guarda Revolucionária no governo, com relatos de que esse grupo tem influenciado decisões de segurança, guerra e diplomacia. Em paralelo, houve referências a mudanças na condução de negociações com os Estados Unidos, com a presença de novos interlocutores oficiais como o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, na linha de negociação externa.
O governo iraniano continua a buscar uma posição de coordenação entre seus grupos internos, tentando evitar vazamentos que possam gerar dúvidas sobre a coesão do regime. A automação de comunicados oficiais, além de declarações públicas, tem sido um canal para contrapor leituras externas sobre supostas fraquezas no comando.
Entre na conversa da comunidade