- Documentos obtidos por meio de FOI mostram que autoridades britânicas foram informadas sobre a possibilidade de permitir o frango lavado quimicamente com cloro no Reino Unido, antes de reunião com a embaixada dos EUA, por volta de 4 de dezembro de 2025.
- A Food Standards Agency também avaliou estudos dos EUA sobre lavagem de frango com bacteriófagos, incluindo dióxido de cloro, para eliminar patógenos, conforme os documentos.
- Autoridades públicas repetem que não há planos para liberar frango lavado com cloro, apesar da pressão da administração Trump durante as negociações de acordo comercial.
- A UE proibiu a prática em 1997, alimentando a disputa sobre importações de frango americano e levantando preocupações sobre higiene e bem-estar animal na cadeia produtiva.
- Os documentos indicam que seria possível ajustar normas para autorizar substâncias novas, após análise de risco britânica; houve também revisão de evidências sobre intervenções contra campylobacter, com relatórios a ser publicados.
O governo britânico avaliou a possibilidade de permitir que frango lavado com cloro e outras químicas fosse importado para o Reino Unido, segundo documentos obtidos por meio de FOI e divulgados à campanha 38 Degrees. Os papéis indicam briefings prévios a uma reunião com a embaixada dos EUA durante as negociações de acordo comercial, em Londres, por volta de 4 de dezembro de 2025. A avaliação envolve alterações nas normas de higiene para incluir tratamentos químicos no processo de produção de frango.
As informações mostram que a Food Standards Agency examinou estudos norte-americanos sobre lavagem de frango com bacteriófagos, incluindo dióxido de cloro, para reduzir patógenos. Ministros britânicos repetiram que não há planos de liberar frango lavado com cloro no país, apesar da pressão dos EUA durante as conversas comerciais. Enquanto isso, agricultores americanos podem usar cloro e desinfetantes para eliminar bactérias durante criação e abate.
Contexto da negociação e pontos-chave
Nos EUA, o uso de cloro é permitido para descontaminação, o que permanece motivo de disputa com a União Europeia, que proibiu a prática em 1997. A manifestação de algumas autoridades dos EUA, como a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, e o assessor da Casa Branca, Peter Navarro, ressaltaram a visibilidade de normas sanitárias como ferramenta de mercado durante as tratativas comerciais, criando crítica pública sobre padrões de higiene.
Documentos também indicam que a Defra recebeu informações sobre o potencial de mudar padrões para permitir o uso de tratamentos químicos em frangos, com base em um processo rigoroso de análise de risco. Um levantamento sobre a eficácia de intervenções contra a campilobactéria foi elaborado para publicação no site do governo, ainda nas etapas de negociação.
Reações e próximos passos
O CEO da 38 Degrees, Matthew McGregor, afirmou que os documentos revelam divergência entre o discurso público do governo, que nega planos de reduzir padrões, e o que seria discutido nos bastidores, sob a perspectiva de atender demandas de negociações com os EUA. A declaração destaca preocupação com a proteção de padrões alimentares e a confiança do consumidor.
A Defra foi procurada para comentar. O material divulgado não constitui conclusão oficial, mas indica discussões sobre a viabilidade de alterações regulatórias e a possível inclusão de técnicas de descontaminação em etapas da cadeia de suprimentos.
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