- Após a COP-30 não alcançar consenso sobre combustíveis fósseis, 50 países se reúnem na Conferência de Santa Marta, na Colômbia, para discutir o tema, sem a participação dos Estados Unidos e da China.
- O objetivo do encontro é debater caminhos para a transição energética; o evento não funciona como espaço de negociação entre nações.
- O Brasil, que preside a COP, chega sem proposta definida devido a desentendimentos entre pastas, apesar de ter sido dado prazo de 60 dias para apresentar diretrizes de redução da dependência de combustíveis fósseis.
- Críticos externos destacam a importância de apresentar o documento antes do encontro e de incluir grandes emissores nas discussões futuras; a sociedade civil não foi chamada para debater o assunto.
- A conferência, organizada pelo governo colombiano com apoio da Holanda, ocorre após a COP-30, em Belém, onde cerca de oitenta países defenderam um roteiro para abandonar petróleo e carvão, e o bloco árabe não permitiu que o tema constasse no documento final.
A Conferência de Santa Marta, na Colômbia, reúne 50 países para debater o fim dos combustíveis fósseis, após o fim da COP-30 sem consenso. O evento não conta com Estados Unidos e China e busca caminhos para a transição energética. O Brasil preside a COP, mas chega sem uma proposta definida.
Organizada pelo governo colombiano com apoio da Holanda, a conferência foca em etapas para reduzir o uso de petróleo e carvão. O objetivo é manter o tema vivo no debate internacional mesmo sem as maiores economias emissores.
Na COP-30, realizada em Belém, cerca de 80 países defendiam um roteiro de transição. O bloco árabe pressionou para que o tema não entrasse no documento final, sinalizando a dificuldade de consenso entre grandes emissores.
Contexto internacional
O Brasil, desde novembro, comanda a COP, mas enfrenta desavenças entre a Casa Civil, Fazenda, Minas e Energia e Meio Ambiente. Em dezembro, Lula exigiu um prazo de 60 dias para apresentar diretrizes de redução de dependência de fósseis.
A Casa Civil informou que o texto está em fase de finalização, com ajustes em curso. Demais pastas não retornaram, ampliando a janela de negociação interna durante a conferência.
Especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que a ausência de uma proposta pronta pode dificultar a posição brasileira em Santa Marta. Ainda assim, destacam a importância de manter o envolvimento das grandes economias na discussão futura.
Marcio Astrini, do Observatório do Clima, diz que o atraso não compromete a participação brasileira. O ambientalista ressalta que o país continua disposto a avançar na transição, mesmo com o documento em aberto.
Ricardo Fujii, da WWF-Brasil, aponta a necessidade de liderar o processo com propostas já definidas. Ele critica a falta de participação da sociedade civil no debate governamental sobre o tema.
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