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Conflitos e seca devem agravar a fome em 2026, aponta relatório

Relatório aponta fome aguda global deve piorar em 2026, com 266 milhões afetados em 2025 e Nigéria com 4,1 milhões a mais, agravada por guerras, secas e queda de ajuda

Palestinians wait to receive food from a charity kitchen, in Gaza City Food Fome — Foto: Mahmoud Issa/REUTERS
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  • Em 2025, 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentaram insegurança alimentar aguda; 1,4 milhão vivia condições catastróficas em regiões como Haiti, Mali, Gaza, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen.
  • No mesmo ano, 35,5 milhões de crianças sofreram desnutrição aguda, incluindo quase 10 milhões em estado grave.
  • Para 2026, a fome permanece crítica, com o Haiti sendo o único país a deixar a faixa mais grave graças a melhora na segurança e a aumento da ajuda humanitária.
  • A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode agravar crises, interrompendo comércio de energia e fertilizantes e elevando preços de alimentos.
  • O financiamento para o setor alimentar caiu em 2025, com redução de cerca de 39% na ajuda humanitária e pelo menos 15% na assistência ao desenvolvimento.

O aumento da fome global deve se manter em níveis críticos em 2026 devido a conflitos, secas e redução da ajuda internacional, aponta o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026. A 10ª edição do monitor mostra que 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2025, com duas situações extremas declaradas pela primeira vez no ano passado, em Gaza e no Sudão.

Ao longo da última década, a fome aguda dobrou de tamanho. Em 2025, 1,4 milhão de pessoas viveram condições catastróficas em áreas de Haiti, Mali, Gaza, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen. Foram 35,5 milhões de crianças desnutridas agudas em 2025, quase 10 milhões em estado grave.

Para 2026, a gravidade seguirá crítica. Apenas o Haiti pode deixar a faixa mais severa, com leve melhora na segurança e maior ajuda humanitária. O relatório reforça que choques prolongados substituíram crises isoladas, elevando a pressão sobre a estabilidade global.

Alvaro Lario, chefe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, destacou que não são apenas choques pontuais, mas impactos persistentes. Ele afirmou que a insegurança alimentar hoje envolve o equilíbrio global, segundo a Reuters.

Perspectivas para 2026

A guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã eleva receios de desorganização no comércio de energia e fertilizantes. Lario alerta que choques de preços podem se espalhar pelos mercados de alimentos, elevando a fome em países dependentes de importação.

Antes da tensão regional, regiões como África Ocidental e Sahel já estavam em risco elevado por conflitos e inflação, com destaque para Nigéria, Mali, Níger e Burkina Faso. A Nigéria deve registrar um dos maiores aumentos de insegurança alimentar em 2026, com mais 4,1 milhões de pessoas.

Na África Oriental, o Déficit de chuvas no Chifre da África agrava a situação da Somália e do Quênia, onde seca, alta dos preços e queda de assistência pressionam a fome. O financiamento para alimentação em áreas de crise caiu, com redução estimada de 39% no apoio humanitário em 2025 frente a 2024 e recuo de pelo menos 15% no apoio ao desenvolvimento.

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