- A Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de usar água, saneamento e higiene como parte da guerra em Gaza, destacando destruição de infraestrutura e restrições a assistências humanitárias.
- O relatório aponta que grande parte da rede de abastecimento foi destruída ou ficou inacessível; estima-se que ao menos 89% das infraestruturas relacionadas ficaram danificadas.
- Desde outubro de dois mil e vinte e cinco, a MSF afirma ter atendido pelo menos quinze mil casos de trauma em dois hospitais de campanha, com mais de quarenta mil curativos em feridos.
- A organização afirma que a crise de água eleva riscos sanitários, com doenças gastrointestinais em vinte e três por cento das entrevistas e infecções respiratórias em cerca de vinte e dois por cento dos domicílios, entre maio e agosto de dois mil e vinte e cinco.
- A MSF solicita suspensão do bloqueio a equipamentos, facilitação da atuação humanitária, fim dos deslocamentos forçados e apoio internacional para reconstrução de infraestruturas essenciais.
O relatório “Água como Arma”, divulgado pela Médicos Sem Fronteiras (MSF), aponta que a água, o saneamento e a higiene foram instrumentalizados durante a guerra em Gaza. A organização afirma que estruturas essenciais foram destruídas ou tornaram-se inacessíveis.
A MSF sustenta que as ações de Israel colocaram em risco toda a população de Gaza. Segundo o estudo, três mecanismos contribuíram para isso: ataques à infraestrutura, obstáculos ao acesso humanitário e atrasos ou bloqueios de suprimentos críticos.
Grande parte da rede de abastecimento foi danificada, incluindo poços e instalações de dessalinização. O estudo cita dados de órgãos internacionais que indicam destruição ou dano a pelo menos 89% dessas infraestruturas.
A organização atua na região desde antes de outubro de 2023, quando houve o ataque do Hamas a Israel e o início de um conflito aéreo e terrestre em Gaza. Equipes da MSF permanecem no território, mesmo com ordens de retirada.
Desde outubro de 2025, com o cessar-fogo vigente, a MSF afirma ter atendido pelo menos 15 mil casos de trauma físico nos dois hospitais de campanha mantidos pela entidade. Relata ainda mais de 40 mil curativos realizados.
O relatório baseia-se em dados de centros de atenção primária em Khan Yunis, no sul de Gaza, além de informações de abastecimento e incidentes de segurança da MSF. Também utiliza métricas dos pontos de distribuição de água mantidos pela ONG.
A conclusão é de que a inacessibilidade aos sistemas de água e saneamento configura uma punição coletiva à população de Gaza, com impactos diretos na saúde, dignidade e segurança das pessoas.
Forças de Israel costumam afirmar que mira apenas alvos do Hamas. A defesa israelense nega atacar prédios civis e sustenta que as operações visam instalações do grupo extremista (sem detalhar o conjunto de alvos).
Entre maio e agosto de 2025, a MSF realizou 1.073 entrevistas, após o cessar-fogo parcial. Elaborou que 23% das pessoas tiveram doença gastrointestinal no mês anterior, ainda que menor na trégua.
O relatório aponta ainda que infecções do trato respiratório atingiram parte significativa dos domicílios, com variações entre 22% e 27% ao longo do período sob análise.
A MSF afirma que o colapso do sistema de água e esgoto gerou banheiros improvisados que permitem a infiltração de resíduos humanos nas águas subterrâneas, tornando a água de poços imprópria para consumo.
Antes da guerra, Gaza possuía infraestrutura de água potável bem desenvolvida, inclusive com osmose reversa. Segundo a MSF, houve tentativas reiteradas de levar materiais ao território após o início do conflito.
Entre as demandas urgentes, a MSF pede suspensão de bloqueio à entrada de equipamentos, facilitação do trabalho humanitário e fim dos deslocamentos forçados. Também cobra proteção à infraestrutura civil.
A organização lembra que, segundo o direito internacional humanitário, Israel, como potência ocupante, deve garantir as necessidades básicas da população e a proteção das infraestruturas civis.
A MSF solicita apoio dos Estados-membros da ONU para as negociações com autoridades israelenses e um aumento de doações para a reconstrução das infraestruturas essenciais em Gaza.
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