- Conferência de Santa Marta entra na reta final com o segmento de alto nível, reunindo ministros e autoridades de mais de 50 países.
- O objetivo é discutir caminhos práticos para reduzir o uso de carvão, petróleo e gás e viabilizar uma transição energética global.
- Debates incluem a criação de um instrumento internacional para eliminar combustíveis fósseis, com propostas de um “Tratado de Combustíveis Fósseis” e mecanismos como um clube de importadores/exportadores e um fundo global de transição justa.
- Países vulneráveis e lideranças indígenas defendem zonas livres de combustíveis fósseis e financiamentos que não aumentem dívidas, visando avanços práticos e rápidas.
- O Brasil participa do segmento de alto nível e atua como articulador de consensos, destacando o papel do país na agenda climática internacional.
A Conferência de Santa Marta, na Colômbia, entrou na reta final com a abertura do segmento de alto nível. Ministros e autoridades de mais de 50 países discutem caminhos práticos para reduzir o uso de carvão, petróleo e gás. O objetivo é viabilizar uma transição energética global com foco em justiça climática e financiamento adequado.
O encontro reúne representantes de economias que respondem por cerca de 30% do PIB global e do consumo de combustíveis fósseis. A prioridade é avançar propostas concretas para eliminar gradualmente os fósseis, mediante acordos e mecanismos financeiros que apoiem países vulneráveis.
A titular do Clima de Tuvalu, Maina Vakafua Talia, ressaltou que Santa Marta pode representar um ponto de virada, desde que reflita as necessidades dos países mais expostos à crise climática e garanta mecanismos de financiamento. A fala ocorreu durante a fase de negociações de alto nível.
Tratado global
Um eixo central é a ideia de criar um instrumento internacional para a eliminação dos combustíveis fósseis. Um grupo de 18 países, incluindo pequenos Estados insulares e a Colômbia, defende que a conferência reconheça a necessidade de negociar esse novo instrumento para manter carvão, petróleo e gás no subsolo.
A proposta amplia a discussão para além de metas setoriais, incluindo um possível Tratado de Combustíveis Fósseis e a criação de um clube de países importadores e exportadores, além de um fundo global de transição justa.
Perguntas em aberto
Organizações da sociedade civil defendem que negociações formais da ONU sigam relevantes, mas não suficientes. A ideia é que o novo Tratado funcione como espaço complementar para avanços mais rápidos em temas como eliminação de fósseis, transições justas e ajustes de dívida, sem depender de aprovação unânime.
Ao lado das negociações governamentais, fortes frentes paralelas fortalecem o debate. O Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET) reúne dados para embasar políticas públicas e ações de descarbonização críticas.
Participação brasileira
O Brasil participa do segmento de alto nível com a diretora executiva da COP30, Ana Toni, e o secretário de Mudança Climática do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio de Melo. O deputado Tarcísio Motta também integra a delegação, conforme o Clima Info.
O país carrega peso político nas negociações, tendo sediado recentemente a COP30 e apresentado um mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A delegação brasileira busca articular consensos para a agenda climática internacional.
Contexto e perspectivas
A explicação geopolítica destaca o impacto de conflitos regionais na segurança energética global, aumentando a urgência do debate. A ministra colombiana do Meio Ambiente, Irene Vélez Torres, aponta a responsabilidade de governos e povos diante do cenário atual.
Líderes indígenas acompanham as discussões e defendem zonas livres de combustíveis fósseis em áreas sensíveis como a Amazônia. Ao mesmo tempo, propostas financeiras destacam a necessidade de financiamento para a transição, especialmente para países vulneráveis.
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