- Uruguay formalizou o vinho como “cultura viva” por meio de uma declaração assinada no Palácio Santos, em Montevidéu, na semana passada.
- O acordo reúne Ministério das Relações Exteriores, Ministério de Educação e Cultura e o Instituto Nacional de Vitivinicultura (INAVI) para ampliar o setor além da produção e exportação.
- O programa “Vitivinicultura como Cultura Viva do Uruguai” busca conectar política cultural, estratégia setorial e diplomacia internacional, com foco em patrimônio, paisagem, comunidade e identidade.
- O projeto recebe apoio da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e prevê converter até mil hectares de vinhedos nos próximos cinco anos, promovendo variedades finas como Tannat e Albariño.
- Mais de setenta por cento dos vinhedos do país têm menos de dez hectares, com forte presença de pessoas físicas e famílias; a iniciativa visa sustentar financeiramente o setor e preservar a herança cultural.
Uruguai formalizou o vinho como uma “cultura viva” por meio de uma iniciativa de governo integrado que conecta política cultural, estratégia setorial e diplomacia internacional. O anúncio representa uma mudança de foco, ampliando a visão do setor além da produção e exportação para um sistema cultural amplo.
A assinatura ocorreu em 22 de abril, no Palácio Santos, em Montevidéu, com a presença de cerca de 200 diplomatas, autoridades e representantes institucionais. O ato oficial marcou a Declaração de Palacio Santos, que estabelece a agenda de longo prazo para a Vitivinicultura como Cultura Viva do Uruguai.
Mudança de eixo institucional
A iniciativa é coordenada pelo Instituto Nacional de Vitivinicultura (INAVI), em conjunto com os ministérios das Relações Exteriores e Educação e Cultura. O programa visa envolver produtores, viticultores e comunidades locais, conectando heritage, paisagem, comunidade e identidade.
Objetivo internacional e liderança
O objetivo é projetar a agenda internacionalmente por meio de diplomacia cultural e intercâmbio de boas práticas, segundo o presidente do INAVI, Diego Spinoglio. O projeto busca legitimidade cultural, raízes territoriais e colaboração institucional para crescer de forma compartilhada.
Apoio de organismos e mudanças no campo
A iniciativa recebeu apoio da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). O diretor-geral, John Barker, destacou o compromisso de Uruguai com a cultura vitivinícola e com a troca de experiências entre países. O programa faz parte de uma reestruturação da gestão do INAVI.
Transformação do vinhedo uruguaio
Com a nova gestão, o INAVI incentiva a reconversão de vinhedos, substituindo variedades de alta produção por cepas de maior valor comercial. Estão previstas mudanças em áreas de grande renovação, incluindo Moscatel de Hamburgo e Ugni Blanc por Tannat e Albariño.
Projeção de plantio e foco exportador
Segundo o vice-presidente do INAVI, Nicolas Monforte, até cinco anos poderão ser replantados cerca de 1.000 hectares, quase 20% da área vitícola nacional. A meta é elevar as exportações, mantendo o suporte técnico para conversiones de vinhedos e inovação enológica.
Perfil das pequenas propriedades
Mais de 70% das vinhas do Uruguai contam com menos de 10 hectares e são geridas por famílias. A estratégia busca sustentabilidade financeira do setor e preservação do patrimônio cultural que a nova política quer destacar.
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