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Brasil sobe no ranking de liberdade de imprensa, mas critica assédio judicial

Brasil sobe ao 52º lugar no ranking mundial de liberdade de imprensa, mas RSF denuncia assédio judicial como entrave e alerta cenário global em crise

Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mostra Brasil na 52º colocação de 180 países avaliados; na imagem, a redação do 'Estadão' Foto: Tiago Queiroz/Estadão
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  • Brasil subiu onze posições desde o ano passado e cinquenta e oito desde 2022, alcançando a 52ª posição entre 180 países avaliados.
  • O país superou os Estados Unidos, que caíram para a 64ª posição; a média mundial está no pior nível em vinte e cinco anos.
  • O ranking é feito com base em cinco critérios: político, jurídico, econômico, sociocultural e integridade física de jornalistas.
  • Pela primeira vez, mais da metade dos países avaliados estão em situação considerada “difícil” ou “muito grave”; a pontuação média é a menor desde o início do levantamento.
  • A RSF aponta uso frequente de assédio judicial e leis de segurança nacional como instrumentos para dificultar o jornalismo; a Argentina caiu para a 98ª posição.

O Brasil avançou onze posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na quinta-feira. O país alcançou a 52ª posição entre 180 nações, ampliando o ritmo de melhora observado desde 2022.

Apesar da evolução, o relatório aponta que o ambiente para jornalistas continua desafiador no Brasil, com fatores que mantêm a imprensa sob pressão. A RSF cita o uso frequente de ações judiciais como ferramenta de intimidação, prática conhecida como assédio judicial.

Ao comparar com o cenário global, o ranking revela que mais da metade dos países avaliados está em situações consideradas difíceis ou muito graves, e a média global atingiu o menor patamar em 25 anos. Entre os critérios, destacam políticas públicas, aspectos legais, econômicos, sociais e a integridade física de profissionais da imprensa.

Contexto regional

Outro destaque problemático do levantamento é a posição da Argentina, que caiu para a 98ª colocação. A RSF aponta que medidas de governo com retóricas hostis à imprensa alimentam a deslegitimação do papel jornalístico, fenômeno observado em várias regiões.

A posição do Brasil, segundo a RSF, ocorre em meio a mudanças legais que, segundo a entidade, têm sido instrumentalizadas para dificultar o trabalho de jornalistas. O documento ressalta ainda o enfraquecimento econômico de veículos e a ampliação de mecanismos legais de repressão.

Além do Brasil, os Estados Unidos recuaram para a 64ª posição, após movimento contrário de alta de anos anteriores. A RSF afirma que quedas em democracias estão associadas a estratégias de repressão e de deslegitimação da imprensa.

O relatório é elaborado a partir de cinco critérios que avaliam, entre outros aspectos, a autonomia da mídia e as limitações impostas ao jornalismo pelo governo. Mantém o foco na prática de liberações legais, ataques diretos, censura e condições de trabalho.

Fontes do estudo indicam que as mudanças observadas refletem um panorama global de tensão entre governos e meios de comunicação, com impactos na qualidade informativa, na diversidade de vozes e no acesso a informações independentes.

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