- Quase oitenta por cento dos serviços de nuvem usados pelos governos europeus são fornecidos por big techs americanas, segundo estudo do Instituto Future of Technology, divulgado em dezoito de abril.
- A Europa avança com a soberania digital para reduzir a dependência dos EUA, buscando soluções europeias de nuvem, plataformas de comunicação e ferramentas de trabalho.
- O Cloud Act dos Estados Unidos permite que autoridades americanas acessem dados processados por empresas americanas, mesmo se estiverem em território de outro país.
- A transição completa de infraestrutura e especialistas para soberania digital é estimada em cerca de três trilhões de dólares; gastos com nuvem na defesa europeia aumentaram de 262 bilhões de euros em dois mil e vinte e dois para 381 bilhões de euros em dois mil e vinte e cinco.
- A França planeja, a partir de dois mil e vinte e sete, deixar de usar plataformas da Microsoft e do Google para videoconferência, adotando o Visio desenvolvido localmente; o Windows também deverá ser substituído por Linux.
A Europa busca reduzir a dependência de serviços de nuvem ditos americanos para evitar que dados governamentais fiquem sob leis de fora do continente. Quase 80% dos serviços de nuvem usados por governos europeus são de big techs dos EUA.
Um estudo do Instituto Future of Technology, divulgado em 17 de abril, aponta que cerca de 80% dos serviços de nuvem no setor público europeu vêm de empresas americanas. A iniciativa visa soberania digital e menos influência de plataformas estrangeiras.
A motivação decorre da possibilidade de acesso a dados pelo governo dos EUA em certos contextos legais. O Cloud Act autoriza requisições de informações armazenadas por empresas norte-americanas em investigações, mesmo sem consentimento do país anfitrião.
O caso francês
França tem liderado diálogos sobre substituição de nuvem externa por soluções locais. O país criou um ministério dedicado às transformações digitais e IA e já implementa trocas em setores públicos.
Até 2027, a França planeja substituir videoconferência da Microsoft e do Google por soluções nacionais. O Visio, desenvolvido localmente, já está em uso em projetos governamentais.
O Windows também deverá ser substituído por aplicações de código aberto, como Linux, para permitir personalização e controle de dados sem depender de terceiros. A medida reduz o risco de controles externos sobre informações sensíveis.
A transição exige investimentos elevados. O Center for European Policy Analysis estima custo de até US$ 3 trilhões para infraestrutura, plataformas e especialistas na Europa.
Projeções e impactos
Em defesa, a União Europeia já aumentou o gasto com nuvens menos dependentes dos EUA. Em 2022, o setor utilizou cerca de 262 bilhões de euros; em 2025, esse total subiu para 381 bilhões de euros. A estratégia visa maior autonomia tecnológica e proteção de dados.
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