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Emirados Árabes deixam a OPEP; possibilidade de guerra de preços do petróleo

Saída surpreendente dos Emirados Árabes Unidos da Opep aumenta tensão entre Riad e Abu Dhabi, elevando a volatilidade do petróleo e abrindo risco de guerra de preços

Oil technician at work at a refinery in Jebel Ali, United Arab Emirates
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  • A Emirados Árabes Unidos deixou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) após sessenta anos, enfraquecendo a aliança liderada pela Arábia Saudita.
  • Os preços globais do petróleo atingiram mais de $126 o barril, o maior nível em quatro anos, alimentando maior volatilidade no mercado.
  • Existe o risco real de uma guerra de preços entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, com impactos imprevisíveis na oferta global.
  • A Arábia Saudita pode intensificar a oferta e oferecer descontos para conquistar participação de mercado, enquanto EUA, Brasil e Guiana podem ganhar espaço no setor.
  • O bloqueio no estreito de Hormuz e a incerteza de demanda complicam o cenário pós-conflito, exigindo ajustes potenciais na Opep.

A partida da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) envolvendo os Emirados Árabes Unidos (EAU) ocorreu nesta terça-feira, encerrando 60 anos de associação. O gesto pode enfraquecer o bloco liderado pela Arábia Saudita, que historicamente ajudou a reduzir a volatilidade dos preços do petróleo. Hoje, o mercado global observa preços em alta, acima de US$ 126 por barril, o maior nível em quatro anos.

O conflito na região complica ainda mais o cenário, com o Estreito de Hormuz sob pressão por bloqueios que afetam o fluxo de petróleo. Embora o EAU tenha sinalizado que não atenderá às quotas da Opep, a efetividade dessa posição depende do que ocorre com Hormuz. O risco de uma guerra de preços persiste caso haja escalada entre os dois países.

Risco de preço a partir de now

Especialistas avaliam que a Saudi Arabia poderá intensificar a comercialização de seu petróleo, buscando clientes asiáticos e oferecendo descontos para recuperar fatias de mercado. O EAU, tradicionalmente competitivo na Europa, pode ver a Arábia Saudita avançar para capturar demanda europeia e other mercados. A produção saudita poderia subir de 3 milhões para entre 4,5 e 6 milhões de barris por dia quando as condições de fluxo voltarem.

Historicamente, Arábia Saudita e aliados já recorreram a cortes ou aumentos de produção para estabilizar a oferta. Em 2020, as reduções de produção de 9,7 milhões de barris por dia ajudaram a conter preços durante a Covid-19, após aplicação de pressões da China e de Rússia. Em 2014, o reino elevou o ritmo de produção para conter o impacto do boom do shale americano, desencadeando forte queda de preços.

Dieter Helm, professor da Universidade de Oxford, compara o cenário a episódios anteriores de surto de preços. Ele aponta que, com o fim de tensões, o mercado tende a ver preços recuarem à medida que a produção aumenta e há reserva abundante de petróleo e gás no mundo. A medida pode favorecer novos players, sobretudo nos Estados Unidos, Brasil e Guiana, conforme o comércio se reorganiza.

Economias locais devem buscar diversificação energética, o que pode acelerar a saída de fósseis. Ainda assim, os EUA e outros produtores disputam espaço no mercado global, o que reforça a incerteza sobre preços no médio prazo. Enquanto isso, Riyadh e Abu Dhabi mantêm esforços para manter relevância no equilíbrio entre oferta e demanda.

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