- O júri da Bienal de Veneza renunciou nove dias antes da abertura do evento, em meio a tensões sobre o retorno da Rússia.
- O grupo disse que não consideraria países “cujo líder esteja acusado de crimes contra a humanidade” para prêmios, o que envolve Rússia e Israel.
- A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que permitir a participação da Rússia não é decisão do governo, mas a Bienal é autônoma.
- A decisão ocorre após uma visita de integrantes do ministério da Cultura a Veneza para tratar da reabertura do pavilhão russo, assunto que já levou o ministro a declarar boicote.
- A União Europeia já retirou dois milhões de euros de financiamento por entender que a participação da Rússia é moralmente incorreta. A cerimônia de inauguração prevista para 9 de maio foi cancelada e os visitantes vão votar nos pavilões favoritos.
A diretoria do júri da Bienal de Veneza apresentou sua renúncia, apenas nove dias antes da abertura da exposição. O gesto ocorre em meio a tensões sobre a participação da Rússia, pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia.
O júri justificou a decisão com base em seu parecer anterior de não premiar países cujos líderes estejam acusados de crimes contra a humanidade, citando Rússia e Israel. A mudança acontece mesmo com a organização mantendo a premissa de abertura.
A Itália está no centro do debate: o primeiro-ministro Giorgia Meloni disse que a participação da Rússia não é uma posição do governo, mas destacou a autonomia da Bienal e a capacidade de quem lidera o evento. A visita de assessores ao pavilhão russo intensificou o imbróglio.
Repercussões e desdobramentos
A União Europeia cortou um financiamento de 2 milhões de euros à participação russa, classificando a volta da Rússia como moralmente questionável. A Bienal argumenta que não pode expulsar a Rússia, já que o país mantém seu pavilhão.
Historicamente, em 2022 o pavilhão russo ficou vazio após protesto de curadores e artistas. Em 2024, o espaço foi ocupado pelo Brasil, em substituição. O ICC emitiu mandados de prisão contra o presidente russo e outros oficiais, o que alimenta o debate internacional.
O evento é conhecido por reun ir artistas e museus de todo o mundo, com pavilões nacionais. Nesta edição, a equipe russa apresentaria uma performance prevista para o espaço sonoro The Tree is Rooted in the Sky, com acesso público possivelmente restrito.
O júri deveria anunciar prêmios na cerimônia que ficou marcada pela anulação do evento de inauguração. Os visitantes, no entanto, poderão votar em seus pavilhões preferidos, conforme comunicado da organizadora.
O caso ampliou tensões entre política e cultura e deixa a programação do festival em aberto, sem uma data anunciada para substituição do júri ou nova organização das premiações. A imprensa acompanha os próximos desdobramentos oficiais.
Entre na conversa da comunidade